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Como desconhecidos , porém bem conhecidos ; como morrendo , porém vivemos ; como castigados , porém não mortos ; Como entristecidos , porém sempre alegres ; pobres, mas enriquecendo a muitos ; nada tendo , mas possuindo tudo.

Evangelho de : Paulo



sexta-feira, 10 de junho de 2011

Autor

Vivendo sua infancia em Osasco - São Paulo, cresceu feito criança perdida no seio de uma família e sociedade disfuncional – um sobrevivente entre outros sobreviventes. Feito criança índigo, incompreendida pela falta de psicologia de um arcaico sistema pedagógico, recusou adaptar-se ao absurdo acúmulo de conhecimentos que não prepara um ser humano para o desfrute da vida em sua totalidade, preferindo desde cedo passar pelo rótulo de “criança problemática”, ao invés de ter sua liberdade e originalidade totalmente reprimida.
Por alguns poucos trocados terminou o ensino médio num supletivo qualquer, do qual nunca chegou a receber o certificado de conclusão, conseguindo mesmo assim, sem dificuldade alguma, ingressar numa disFaculdade paga e sofrer por longos seis meses da frieza e automatismo do curso de administração de empresas, somente para se ver livre das pressões exercidas por parentes, conhecidos e pela instituição Cosntrutora de Engenharia Civil , Geosonda , na qual até então era empregado.

Em carreira solo, iniciou seu curso superior de formação em Serhumanologia, depois de dolorosa, porém abençoada crise de identidade. Pós graduou-se com mais duas crises agudas de depressão e hoje, no exterior de si mesmo cursa bacharelado da negligenciada Arte de Cuidar do Ser, onde questiona todo sistema de crença e condicionamentos que limitam a potencialização dos lentos talentos da raça humana.

Passou a ser mal quisto em instituições da qual fazia parte, por ousar exercer sua individualidade e transmitir idéias totalmente contrárias ao condicionamento do coletivo inobservante.

Hoje, por ter recusado a se submeter a deformação socialmente aceita, de quatro ou cinco anos num curso de especialização e afastar-se por completo da própria vocação só para poder desfrutar da pseudo-segurança e prestígio de um impresso colorido diploma, adornado com uma estampilha dourada, pendurada numa sala alugada na impessoalidade de um edifício comercial qualquer, desfruta do mundo do anonimato divulgando seus pensamentos, sentimentos, tédios e insatisfações neste Blog.

Qual caminho você escolhe?

Auto-realização trata-se de reconhecer quem somos, em Unidade e Igual com a totalidade da existência, a totalidade da vida.

Atualmente somos Um e Igual na auto-desonestidade mas a cada momento da existência temos sempre duas escolhas: auto-desonestidade ou auto-realização.

Não se pode explicar, nem mostrar, nem revelar o que é a auto-desonestidade ou auto-realização, pois este é um processo particular que precisa ser feito por cada um, a cada momento, a cada respiração.

Cada ser humano é "deus" em seu próprio mundo, e sendo assim, individualmente responsável por como experimenta a si mesmo em seu próprio mundo. O mundo que estamos experimentado atualmente é um mundo que foi criado por nós mesmo, através de repetidas escolhas da auto-desonestidade e assim, a chave para mudar o mundo é a auto-realização.

Para se chegar à auto-realização é preciso aplicar-se na libertação do "falso eu" e na busca pela ação correta, momento a momento. A primeira auto-desonestidade é acreditar que somos o que pensamos ser.

Quando caímos nessa auto-desonestidade, nos identificamos com os pensamentos, os sentimentos e as emoções, e acabamos sendo a manifestação do auto-desonestidade. Então, para o alcance da auto-realização, é necessário aplicação na libertação do "falso eu" e a busca da ação correta, como forma de se libertar completamente da auto-desonestidade. Não devemos ficar presos a nenhum pensamento, nenhum sentimento, nenhuma emoção, senão livre no silêncio absoluto. Seja o pensamento, o sentimento ou a emoção, boa ou ruim, certa ou errada, positiva ou negativa, é preciso se libertar sempre de toda e qualquer dualidade. Independentemente do que esteja acontecendo é preciso capacidade para andar livre pelo mundo, sem que nada nos influencie. Andar sem ser influenciado por pensamentos, por sentimentos ou emoções. É preciso se firmar no silêncio. Ou seja, ser livre, momento a momento, da ação dos pensamentos, sentimentos e emoções.

A libertação do "falso eu" e a ação correta tem que andar juntas. É na prática continua que, devagar e sempre, vamos saindo da auto-desonestidade. Isso é um processo; o processo pelo qual estamos passando. É preciso paciência. Respirar. Busque, devagar e sempre, pelas coisas que possam lhe ajudar a sair desse processo de auto-desonestidade. A auto-realização não pode existir enquanto houver auto-desonestidade. Estamos todos no mesmo barco, no mesmo processo. As vezes, quando se ver na auto-desonestidade, aplique-se na libertação do "falso eu", na prática da ação correta e dê continuidade ao seu processo. Por sermos parte do universo e este processo ser universal, tudo o que está e estará ocorrendo daqui pra frente é humanamente inevitável. Só existem dois caminhos para escolher percorrer neste processo: o mais fácil ou o mais difícil.

Desteni

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sobre educação


A educação atual não passa de um "genocídio mental",
política e midiaticamente organizado.

Nelson Jonas Ramos de Oliveira

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A arte da desobediência


No fundo de cada artista existe um lugar sagrado onde todas

as regras são postas de lado ou deliberadamente esquecidas,

e nada importa senão as escolhas instintivas do coração e da alma do artista.

Christopher Vogler



Vivemos um momento histórico de globalização mas ao mesmo tempo de nivelamento (para baixo) de todos os valores culturais, éticos e estéticos. Por exemplo, os anos 70 trouxeram os movimnetos hippie, de vanguarda e rebelião cultural e da busca de um significado, de um sentido - tinha muito louco por aí, mas eram loucos vivos!! - hoje vemos as modas durarem, quando muito, o tempo de uma estação. As igrejas de salvação tomaram contas das maravilhosas salas de cinema e proliferam a vontade. A salvação fica mais "barata" e simples puxando R$5,00 do bolso e colocando no saquinho desses ricos ministros da fé. A Verdade parece ser um produto para poucos.
Swa Swarupa

A crescente confusão atual, sem dúvida, se deve a que queremos resolver cada problema com um certo padrão de ação, com uma certa ideologia, religiosa ou política. A religião organizada, evidentemente, impede a compreensão de qualquer problema, porque a mente está condicionada pelo dogma e pela crença. Nossa dificuldade é de compreender o problema diretamente, e não através de um determinado condicionamento religioso ou político; como compreender o problema de maneira que o conflito cesse, não temporariamente, mas completa e definitivamente, para que o homem possa viver com plenitude, sem as tribulações do futuro ou a carga do passado. É sem dúvida o que nos cumpre descobrir: como atender o problema de maneira nova.
Krishnamurti



A mera existência não é a vida. E as pessoas estão apenas existindo, vegetando, sobrevivendo de uma forma ou de outra. Para a sobrevivência, pão com manteiga e abrigo são suficientes, mas não haverá grandeza, esplendor. Seu céu interior permanecerá totalmente escuro. Não haverá estrelas, não haverá uma noite de lua cheia. É preciso rebelar-se, rebelar-se contra toda besteira que está sendo ensinada de fora pelas universidades, pelas igrejas, pelos sacerdotes, pelos políticos. É preciso rebelar-se contra tudo. É uma conspiração bastante antiga, com raízes muito profundas. Rebelar-se significa abandonar todo o passado e viver no presente, sem tradição alguma, sem lembrança alguma, sem conhecimento algum, viver como uma criança, como se você fosse o primeiro homem... Abandone o passado como se ele nunca tivesse existido, recomece sempre do bê-a-bá, do zero. Assim você terá uma vida linda, uma vida aventurosa, terá uma qualidade extática em sua vida.



A sociedade tudo lhe dará se você der a sua liberdade. Ela lhe dará respeitabilidade, grandes postos na hierarquia, na burocracia - mas você precisa abandonar uma coisa: sua liberdade, sua individualidade. Você precisa se tornar um número na multidão. A multidão odeia a pessoa que não é parte dela. A multidão fica muito tensa percebendo um estranho entre ela, pois o estranho se torna um ponto de interrogação.



Nem todos os rebeldes são iluminados, mas todos iluminados são rebeldes. A pessoa pode ser rebelde sem ser iluminada. Lênin, Marx, Tolstoi, são rebeldes, mas nenhum deles é iluminado e a rebelião deles permanecerá relacionada a situações sociais, econômicas e políticas muito comuns.

Osho

Os sistemas elitistas de poder são pouco afetados por protestos tradicionais e movimentos políticos. Devemos dar um passo além dessas “rebeliões do sistema” e trabalhar com uma ferramenta muito mais poderosa: parar de apoiar o sistema, ao mesmo tempo em que propagamos o conhecimento, a paz, a união e a compaixão. Não podemos “lutar contra o sistema”. Ódio, ira e a mentalidade de “guerra” são um modo ineficaz de obter mudança, pois eles perpetuam a mesma ferramenta que os sistemas de poder corruptos estabelecidos utilizam para manter o controle.

Movimento Zeitgeist

Veja você, existe uma revolução dentro do padrão da sociedade, ou uma completa revolução fora da sociedade. A completa revolução fora da sociedade é o que eu chamo revolução religiosa. Qualquer revolução que não é religiosa está dentro da sociedade e não é absolutamente, portanto nenhuma revolução, mas só uma continuidade modificada do padrão velho. O que acontece por todo o mundo, acredito eu, é a revolução dentro da sociedade, e esta revolução freqüentemente toma aquela forma chamada de delito. Existe certamente este tipo de revolta uma vez que nossa educação só está preocupada com juventude para encaixá-la na sociedade, isto é, prepará-la para a obtenção de emprego, ganhar dinheiro, ter cobiça, ter mais, e se adaptar. Isso é o que a nossa – tão chamada educação faz em toda parte – ensina o jovem a se adaptar, religiosa, moral, economicamente, assim naturalmente sua revolta não tem nenhum significado, a não ser que deve ser reprimida, reformada, ou controlada. Tal revolução ainda está dentro da estrutura da sociedade, e, portanto não é criadora em absoluto. Mas pela educação correta poderíamos chegar a uma compreensão diferente, talvez ajudando a livrar a mente de todo o condicionamento – isto é, incentivando os jovens a estar ciente das muitas influências que condicionam a mente para torná-la conformada.

Uma revolução sangrenta não produz paz perdurável nem felicidade para todos. Em lugar de meramente desejardes paz imediata neste mundo de confusão e angústia, considerai como vós, individualmente, podeis ser um centro não de paz mas de inteligência. A inteligência é essencial para a ordem, a harmonia e o bem-estar do homem. Há muitas organizações para a paz, porém, há poucos indivíduos livres, inteligentes no verdadeiro sentido da palavra. Vós deveis como indivíduos, começar a compreender a realidade; então a chama do entendimento se espalhará sobre a face da terra.

Krishnamurti

No que se refere a minha rebelião, ao meu rebelde, a violência está simplesmente fora de questão: ele não pode destruir, nós destruímos o suficiente; ele não pode matar: nós matamos o suficiente. É hora de parar toda essa maneira de vida idiota.



Objetivos corretos podem ser atingidos somente através de meios corretos. Através da violência não se pode atingir uma humanidade pacifica, silenciosa e amorosa; a violência estará nas raízes e envenenará toda a sua super estrutura.



A rebelião não foi tentada em vasta escala. Simplesmente com o esforço de milhões de pessoas meditando, amando o silêncio e a paz e destruindo todo tipo de descriminações que geram a violência, estaremos criando o espaço, o intervalo, a descontinuidade que pode salvar o ser humano e a vida sobre este planeta.

Osho

Vendo-se o que está se passando no mundo, e principalmente neste país, parece-me que o que se faz necessário é uma revolução total de consciência. E não será possível tal revolução, se permanecermos insensatamente apegados a crenças, idéias e conceitos. Não encontraremos saída de nossa confusão, angústia, conflito, pela constante repetição do Gita, do Upanishads e demais livros sagrados; isso poderá levar à hipocrisia, a uma vida de insinceridade, de interminável pregação moral, porém nunca a enfrentar realidades. O que nos cumpre fazer é, segundo me parece, tornar-nos cônscios das condições de nossa existência diária, de nossos infortúnios, nossas angústias, nossa confusão e conflito, e tratar de compreendê-los tão profundamente que possamos lançar uma base adequada, para começar. Não há outra solução. temos de enfrentar-nos assim como somos e não como deveríamos ser, segundo um certo padrão ou ideal. Temos de ver realmente o que somos e, daí, iniciar a transformação radical.



Só quando a mente é capaz de se livrar de todas as influências, todas interferências, de estar completamente só,... existe criatividade. No mundo, cada vez mais a técnica está sendo desenvolvida – técnica de como influenciar as pessoas pela propaganda, por compulsão, pela imitação, por exemplos, pela idolatria, pela adoração do herói. Há livros inúmeros sobre como fazer uma coisa, como pensar eficientemente, como construir uma casa, como montar máquinas, e de forma que gradualmente perdemos a iniciativa, a iniciativa de pensar de forma original algo por nós mesmos. Em nossa educação, em nosso relacionamento com governo, por vários meios, somos influenciados ao conformismo e a imitação. E quando permitimos a influência que nos convença a uma atitude particular ou ação, naturalmente nós criamos resistência com outras influências. E neste processo de criar uma resistência à outra influência, nós não cedemos a isso negativamente? A mente não deve estar permanentemente em revolta a fim de entender as influências que estão sempre colidindo, interferindo, controlando, amoldando? Não é isso uma das causas da mente medíocre que é sempre medrosa e, está num estado de confusão, quer ordem, quer coerência, quer uma fórmula, uma forma que possa ser guiada, possa ser controlada, e, mas estas fórmulas, estas várias influências criam contradições no indivíduo, cria confusão no indivíduo. Qualquer escolha entre as influências é seguramente ainda um estado de mediocridade. ... Não deve ter a mente à capacidade, não de imitar, não de acomodar-se e ser sem medo? Tal mente não deve estar só e, portanto ser criativa? Essa criatividade não é sua nem minha, é anônima!



Há necessidade de indivíduos revoltados, não parcialmente, porém totalmente revoltados contra o "velho", pois só tais indivíduos poderão criar um novo mundo, um mundo não baseado na aquisição, no poder e no prestígio.

A mente individual é uma mente revoltada e, por conseguinte, não busca segurança. Mente revolucionária não é o mesmo que mente revoltada. A mente revolucionária visa alterar as coisas de acordo com um certo padrão, e essa mente não é uma mente revoltada, não é uma mente que esteja insatisfeita consigo mesma.

Não sei se vocês já observaram que coisa extraordinária é a insatisfação. Vocês conhecem muitos jovens insatisfeitos. Eles não sabem o que fazer; sentem-se miseráveis, infelizes, revoltados, buscando isto, tentando aquilo, fazendo perguntas intermináveis. Mas quando crescem, arrumam um emprego, casam e esse é o fim de tudo. Sua insatisfação fundamental é canalizada e, depois, a infelicidade assume o comando. Quando jovens, seus pais, seus mestres, a sociedade, todos lhe dizem que não se sintam insatisfeitos, que descubram o que querem fazer e o façam — tudo, porém, dentro dos padrões. Esse tipo de mente não é revoltada e você precisa de uma mente realmente revoltada para encontrar a verdade — não de uma mente conformada. Revolta significa paixão.

Krishnamurti

O homem, agora, precisa destruir todos os tipos de servidão e sair de todas as prisões - escravidão, não mais. O homem tem de se tornar um indivíduo. Tem de se tornar um rebelde.



Não obedeça ninguém.

Simplesmente obedeça seu ser.

Para onde ele o levar, vá sem temor, em liberdade.

Uma vez percebida uma certa verdade, você nada mais poderá fazer além de obedecê-la.

Mas precisa ser a sua visão, sua percepção, a sua compreensão.

Comece com a desobediência.

Osho






domingo, 5 de junho de 2011

Olhar e Ser Visto

 
 Estou puto! É sempre a mesma merda: amarram minhas asas e querem que eu voe. Querem que eu jogue o jogo, que eu finja não ver o que vejo e que diga só o que é politicamente esperado, caso contrário, sou um chato. Se me limito ao silêncio, fruto do viver e deixar viver, logo o rotulam como uma atitude de raiva, radicalidade ou anarquia primaveril. Por que devo citar meu parecer sobre aquilo que as pessoas veem mas preferem fingir não ver? Se as pessoas não meditam com seriedade, nem mesmo nas falas do deus que seguem, como posso esperar que considerem as minhas falas? Cansei: afinal, sempre acaba sobrando para mim. Já dizia minha avó, a quem não tive a alegria de conhecer: "Quem os pariu que os ature!" Pois bem: não tenho nada que opinar em questões não "paridas" por mim. É um fato de meu conhecimento, que não ocorre apenas nos filmes de TV: "você tem o direito de se manter calado, pois tudo que você disser poderá ser usado contra você assim que deixar a sala". Cansei de ser bode expiatório, estou fora! Cansei dos rótulos e das coleções de imagens, sempre mantidas embaixo da manga para serem utilizadas nos momentos de medo diante do doloroso mas fecundo confronto com a realidade. Não quero mais compactuar desse jogo. E sabem por que meu contato é sempre rápido? Porque, além de eu ainda ter um forte impulso para a fofoca, não estou pronto. Ainda não consigo traduzir de maneira não emocional, aquilo que vejo pelo racional. E, como o outro, também não se encontra pronto, - muito menos parece se preocupar com isso - o resultado é sempre acrescentar mais sofrimento, ao sofrimento já instalado e por demais enrustido.



A cada dia que passa, sinto mais dificuldade de me comunicar com aqueles que, como disse um amigo, "não tiveram a benção ou a maldição" de aceitar -- com seriedade e não por momentâneo escape de uma dor emocional --, assumir o desafio do auto-enfrentamento. Por eles, percebo não ser ouvido, visto ou percebido. Não consigo fazer com que raciocinem em uma só pergunta, sem que se percam em rodeios, em imagens passadas ou no escudo do emocionalismo que afugenta de vez a luz da razão. Buscar pelo entendimento não é fácil, mais cômodo é se apoiar nas imagens, sempre criadas com extrema facilidade. Por falar em imagens, por ler muito, a última imagem criada a meu respeito é a de que sou um "intelectual". Mais fácil me ver como intelectual do que alguém em busca de respostas para a constante inquietude que me impede o desfrute da verdadeira liberdade do espírito humano.



O fato é que há tempos que estou cansado de ambientes que não permitem que eu seja quem sou, do modo que sou e que de forma direta ou indireta, me forçam a uma formatação induzida ao servilismo estagnante, à domesticação servil, encrustada desde o berço. Cansei de ser "o cara agradável, politicamente correto" (e sinto profunda aversão quando me deparo com pessoas exercitando tal insano script social).



Cansei! Estou fora! Não me importo se acabar em solidão, afinal, o que é a solidão física diante de tamanha solidão emocional? Escolho viver do modo que me traga menos conflito desnecessário. Não preciso ficar fingindo não ver aquilo que não suporto, em nome de uma pseudo-unidade e bem-estar. Já não estou mais disposto a trair a mim mesmo!



Alguns me acusam de não estar disponível, o que não é um fato. Eu estou sempre disponível para quem realmente se mostra disponível para aquilo que, por direito, nos é disponível, mas, desde o berço, se mostrou indisponível. Estou disponível à disponibilidade do que me é de interesse e que, para a maioria das pessoas, em nada interessa. Não há culpados nisso: somos barcos de um mesmo estaleiro que partiram em diferentes direções. Minha dor já não é do bolso, do prestígio, do poder e da identificação com o corpo, como foi um dia. Minha dor é por demais invisível aos olhos insensíveis; meu buraco é muito, mas muito mais embaixo. Talvez, para as pessoas, seja uma benção não ter a experiência do grande vácuo da queda livre na "toca do coelho". É preciso tempo e dedicação para sabê-lo. Para mim, não há banho de shopping e construção que aplaque a tamanha inquietação do chamado da Verdade. Sou grato por ser livre de tal ilusão! E, ao contrário daquilo que sei que alguns pensam de minha parte ser inveja, na realidade é tristeza por constatar que pessoas queridas, disso ainda necessitem (por mais duras que tenham sido as surras levadas até aqui).

Comigo, bruscamente mudarão as estações fazendo com que meus antigos valores se fossem, como tudo que é arrastado por feroz enxurrada cataclísmica. Tive a benção de ter mais uma chance para constatar que a primavera da vida não dura para sempre e que se faz necessário levantar colunas em terreno solidificado pela ação da Verdade... Com os antigos valores, talvez seja possível sobreviver ao Outono, mas, no Inverno do Ser... E é só os que sobrevivem a este último que se sentem impelidos na busca da verdade de si, sem o luxo de querer escolher a cor, a direção, ou a persona de quem lhes atira a bóia.



E o que mais me enche o saco são as cobranças... Ninguém quer sentar com a própria insatisfação, o vício é querer jogar a responsabilidade no outro, pois, encontrar um bode expiatório é muito mais fácil. Não sou contra que cada um queira viver do modo que bem entenda, mas, querer também que o outro permaneça feito inconsequente "cigarra"... Aí já é demais! Sou dessas formigas que não mais se alimenta de prestígio, poder e grana... Sou dessas formigas que tem verdadeiro horror em se tornar um especialista em determinada área, e por isso, me acusam de, profissionalmente não levar nada com seriedade. Não quero saber de profissão, quero saber de vocação, quero saber para que fui chamado. E, como estes meus valores não são levados em conta pelos que se consideram "excelentes profissionais", em nada conto nesse grande formigueiro ensandecido. Se em todos estes meus anos de séria e incansável busca, estivesse lendo sobre "administração de empresas" ou "mercado financeiro", quem sabe meus esforços e investimentos seriam vistos. E, em vista disso, sempre tem um que cola o rótulo de "um cara acomodado", na imagem que carrega da minha pessoa.



Reclamam que não faço o movimento de estar junto, mas, quem é que não fica de saco cheio de, ao perguntar sobre as novidades, obter como resposta sempre o velho? Quem é que aguenta a longa exposição a conversas fúteis ou sobre a trivialidade dos fatos? Já estou quase mudando meu modo de cumprimentar as pessoas:



- E aí meu velho? O que me conta de velho?



Que me desculpem os que me são queridos, mas, cansei! Principalmente, de ser procurado somente em momentos de dificuldade, na expectativa de me encontrarem, feito a carta do coringa, sempre com sorriso no rosto e nas mãos, a solução para os seus imaturos problemas. Não dá! Quero estar com quem ousa compartilhar da realidade de seu mundo, e igualmente se interessa em conhecer o meu, com meus pontos de vista, meus valores e onde invisto meu coração (saber de meus sentimentos, seria pedir demais?). Mas, quase sempre, são raros os que ousam por uma autêntica intimidade e, para a minha infelicidade, "meus ecos" são geográfica e consanguineamente distantes. Pelo que tenho ouvido dos ecos de "outros malucos como eu", parece que, em família, ninguém quer saber de alguém querendo "consertar" aquilo que foi por anos fragmentado, em grande parte, dentro da própria família. Sinto um alívio por saber que não sou o único.



A minha realidade atual é que prefiro mil vezes a solidão do meu ser, do que a preferência nacional: a companhia de eufóricos fiéis servidores desse insano jogo que aí se encontra. Não permitirei, feito distraído abstêmio, voltar à bebida pela massiva influência desse enorme grupo de embriagados sociais, que se apresentam por todos os meios. Não quero comungar dessa maneira: esse cálice me é amargo demais. Sou um ser falho em busca de respostas. Não sou dono da verdade, no entanto, sou responsável por sustentar meu ponto de vista da verdade, a qual se apresenta a mim, de momento a momento. A superficialidade não mais me alimenta, sinto falta de investigações profundas...



Está sendo com profundo desgosto que constato que aquele que decide adentrar com seriedade no caminho do auto-conhecimento, não pode depender da aceitação grupal e/ou parental. É preciso coragem de seguir em frente, feito vidraça, onde nelas, com certeza, os menos sensíveis tentarão colocar rótulos, ou em caso de sono profundo, atirar afiadas pedras. É preciso ter em mente que ninguém é profeta em sua terra natal.



Pois bem! Fica aqui, se ainda me é de direito, meu pedido final: peço a você, que ainda me tem em conta, que de mim não espere nada, a não ser o meu impulso por compartilhar desta minha rebelde forma de amar, em defesa da qual, fiz-me voluntariamente dissidente. Portanto, para o bem de todos, cada um a sua maneira, busquemos por Vida, pois somente com sua sagrada presença, será possível viver, deixar viver e, quem sabe um dia, em verdade, comugar.



Ainda que de mim possa parecer impossível, com amor



Nelson Jonas.


Homens Bolhas



São realmente um saco:



Esses seres vazios do ser, acelerados escravos na corrida do ter, eternos viciados em cagar regras de como devemos deixar de ser...



Entre o vazio deles e o da bolha de sabão, fico com a última, pois esta, além de leve, graciosa e colorida, possui seu brilho original.






quinta-feira, 2 de junho de 2011

Existe súbito ataque cardíaco?





Eu estava aproveitando a folga gerada pela pausa da chuva, observando as incontáveis gotículas de água nas pontas das verdes folhas da pequena pitangueira, quando fui interrompido pelo gesticular esbaforido de dona Elza, do alto de sua varanda, cujo parapeito é coberto de musgos e fungos. Ela tinha o olhar bem mais pesado do que o de costume. Pessoa sofrida, dedicou totalmente sua vida aos filhos e para a continuidade de uma pequena malharia deixada por seu marido, vitimado num assassinato. Aos 76 anos de idade, sempre trazia no olhar uma expressão para lá de carrancuda e, não raro, despejava uma infinidade de lamúrias nos ouvidos dos menos precavidos. Devido suas traumáticas experiências passadas, parecia ter perdido a capacidade de ver as coisas boas da vida, tornando-se assim, uma reclamadora compulsiva. Não raro, com movimentos apressados de fazer inveja a muitos da sua idade, entrava pela porta da loja, praguejando contra o barulho do vizinho, as loucuras do genro, o cliente mal pagador, ou então, pelos abusivos valores das suas contas de água e luz. Lembro-me de somente numa ocasião, ter escutado dela, em meio de sorrisos sapecas, sobre as travessuras de sua infância, quando dava um jeitinho de "distribuir" um pouco das finanças de seus pais, para que alguns de seus funcionários pudessem comprar os caros remédios para bronquite.

Há uns quarenta dias, ao lembrar-me de uma cena do filme "O Poder Além da Vida", disse-lhe sorrindo, quando aceleradamente vinha em minha direção:

- Calma lá! Antes que a senhora comece a desfilar o seu rosário de lamúrias, trate de voltar para sua casa e só retorne aqui, quando tiver algo a dizer, cujo conteúdo seja totalmente diferente daquele que a senhora está acostumada a me trazer.

- Que é isso? Perdeu o juízo? Não tem mais respeito pelos meus cabelos brancos?

- Justamente por respeitá-los e também por respeitar os meus ouvidos é que me recuso a continuar dando suporte para sua neurose de reclamar compulsivamente dos acontecimentos do seu dia-a-dia. Não estou mais a fim de escutar suas lamúrias. Eu tenho certeza que em algum lugar ai dentro da senhora, deve existir assuntos extremamente interessantes e alegres. Portanto, somente volte aqui quando tiver algo para me contar que seja diametralmente oposto ao discurso que lhe mantém com esse seu rosto sofrido de sempre.

- Sabe, você é "desaforento da bexiga"! Mas, no fundo do fundo, gosto muito desse seu jeito. Você sempre tem uma palavra para desafiar o modo de ser da gente. Estou muito feliz por meu filho estar começando a conversar com você. Só de pensar que daqui alguns dias vocês já não estarão mais aqui, chego a sentir um grande aperto no peito...

- Está vendo só? Lá vem a senhora novamente se limitando a ver apenas o lado negativo dos acontecimentos e, com isso, dando forças para esse seu lado resmungão... Volte para casa e só volte aqui quando tiver algo de bom para me contar!

- Mas...

- Nem mais nem menos! Recado transmitido!

Depois de me ouvir, de costas foi se afastando bastante sem graça em direção à porta da loja, onde se deteve por alguns segundos, para depois em meio de um sorriso fazer um movimento com as mãos, afirmando seu desejo de me dar umas boas palmadas. Desde esse dia, sempre que me via, continha seu desejo de resmungar com um leve sorriso no cantinho do olhar. Desta vez, pela maneira com que me olhou, deixou claro no ar, que algo realmente doloroso havia lhe ocorrido. Permaneci silenciosamente olhando para o alto em sua direção. Ela parecia atônita, perdida em algum lugar de suas lembranças...

- Você está vendo aquela senhora de vestido azul marinho que vai logo ali à frente? – Disse-me do alto, apontando em sua direção.

- Sim, dona Elza, o que tem ela?

- Veio aqui me avisar que meu irmão caçula, de 52 anos de idade, não resistiu ao súbito ataque cardíaco, morrendo na mesa de operação.

Disse-me ela sem ao menos se dar conta de que não existe essa absurda idéia de "súbito" ataque cardíaco... Isso nada tem de súbito: é apenas uma resultante de um modo de vida acelerado de anos e anos.

- Ele era o mais forte de todos e sempre tinha uma palavra de incentivo na ponta da língua, apesar de quase nunca ter tempo para si mesmo. Era um homem muito trabalhador – trabalhava dia e noite, noite e dia – gostava de brincar dizendo sempre que seu nome era trabalho e seu sobrenome hora extra. No fim, tadinho, o "home num guênto!"...

Disse-me do alto de sua sacada com seu olhar fixo, não em mim, mas nos desenhos desgastados de sua calçada ainda molhada pela chuva da manhã. Ela respirou profundamente, levantou seu olhar em direção ao céu cinzento, como que praguejando contra Deus, mas, devido ao forte som da grande quantidade de ônibus que naquele instante passavam por aqui, não pude compreender o que dizia. Mesmo assim, mantive meu olhar fixamente direcionado para sua face tristonha...

- Dona Elza, desculpe-me, mas, não consegui escutar o que a senhora acabou de dizer, por causa do barulho do transito.

- Ah, deixa prá lá! - Respondeu-me com um aceno raivoso, imediatamente virando-me as costas e, cabisbaixa saindo em direção ao interior de sua casa.

Tão logo sua imagem desapareceu por detrás dos espaços deixados pela arquitetura das antigas lajotas que compõe o muro de sua varanda, comecei a pensar que, talvez, um dos maiores sacrilégios humanos seja o de chegar ao final de uma existência, impossibilitado de fechar os olhos com leveza e ternura, agarrado aos lençóis de um leito de hospital, quem sabe, por ter se permitido viver uma vida sobre os ditames dos ponteiros de um relógio, ou então em atividades e relacionamentos destituídos de um verdadeiro senso de significado e paixão.

Passado uma hora e meia, pude ver dona Elza voltando do mercado próximo, com um enorme óculos escuros, carregando em seus braços, como de costume, várias sacolinhas amarelas que faziam contraste ao impecável e discreto conjunto preto, desses usados pelas senhoras em luto.


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O povo não precisa de liderança, o povo precisa de consciência e tem muita gente fazendo esse trabalho, acadêmicos e não acadêmicos. Eu sei porque eu trabalho em favela muitas vezes e sei que tem muito movimento cultural rolando. Tem muito trabalho de base acontecendo. Ele não aparece e é bom que não apareça, porque se aparecer, o sistema vai lá pra acabar com aquilo. ( Eduardo Marinho )