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Como desconhecidos , porém bem conhecidos ; como morrendo , porém vivemos ; como castigados , porém não mortos ; Como entristecidos , porém sempre alegres ; pobres, mas enriquecendo a muitos ; nada tendo , mas possuindo tudo.

Evangelho de : Paulo



sábado, 12 de novembro de 2011

Uma nova qualidade do ser




Tudo que você possui pode ser perdido, pode ser roubado, pode ser removido. No fim, a morte separará você de suas posses. Somente aquilo que você se tornou não pode ser removido. Nem a morte o separa disso. Você não tem isso, você é isso.



Dessa forma, os grandes sábios do Upanixade dizem: "Quando você conhece Deus, você se torna Deus". Conhecendo Deus, a pessoa se torna Deus, porque conhecê-lo não é ter conhecimento, que é algo que você pode esquecer.



Conhecer Deus significa simplesmente alcançar uma nova qualidade do ser. Ela se torna parte de sua respiração e de seu batimento cardíaco.



A união final com o todo significa simplesmente que você se tornou o todo, é o ponto em que você sente: "Cheguei. Esse é o destino que venho buscando há milhares de vidas. Essa é a casa que eu estava procurando. Fiz muitas casas, mas nenhuma foi de fato uma casa: todas foram apenas caravançarás, e sempre precisei sair. Agora não posso sair dessa casa, porque eu sou ela".



Osho, em "Meditações Para o Dia"

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

De olhos abertos, até a ilusão serve de alimento

X: Bom dia, Nelson! Tudo beleza?
N: Agora sim!
X: O material que você disponibiliza é ótimo... Muito autêntico e preciso.
N: Obrigado!
X: Legal o novo blog.
N: Vem do coração.
X: Sim é muito claro isso.
N: por vezes de um coração em chamas, por vezes de um coração com raiva... São minhas entradas e saídas no ser, como diz meu amigo Nabil!
X: E trata-se de uma pulga que sempre fica atrás da orelha... Ou seja: $$ X Espiritualidade... Confesso que isso também me gera um certo desconforto.
N: Passei uma semana de muito trabalho interior... Me senti como "mulher traída" ahahahaha
X: Agora... Como achar o equilíbrio nessa questão? Pois todos os Gurus cobram. Quando o cobrar é legítimo e quando é auto-interesse?
N: Cobrar por algo que veio da Graça e de graça? Isso é uma dualidade enorme, absurda... Todos cobram justamente porque se “auto-organizaram” como “gurus”.
X: Perfeito!
N: Você sabe de um Jesus cobrando? Você sabe de um Buda cobrando? Você sabe de um Krishnamurti cobrando? Você sabe de um Nietzsche cobrando? Você sabe de um Voltaire cobrando? Você sabe de um Sócrates cobrando? Isso virou um negócio e muito bom... Passeia-se ao redor do mundo numa boa, come-se do bom o do melhor... A máfia da nova era, a máfia num novo tom...
X: Concordo com você mas, e a manutenção inerente a divulgação da graça? Quando faltam recursos para isso?
N: Gerar recursos é bem diferente de estipular valores forçosos, estipular caches para poder comparecer no local. Quem gera os espontâneos recursos "apenas administrativos" para que encontros ocorram são aqueles que sentem a necessidade do compartilhar de uma mensagem.
X: Gostaria, de verdade, de achar o equilíbrio para essa questão.
N: Agora, fazer disso um modo de vida, isso é empresariado espiritual, é empresariado sacerdotal, clerical, é usar o desespero do outro para manter um modo isento do desespero diário de se bancar financeiramente. Ninguém dá satsang todos os dias, 24 horas por dia, aliás. Quer saber? Nem curto essa idéia de que alguém é o Ser em pessoa "transformando" automaticamente alguém que com ele entre em contato.
X: Sim!
N: Agora, sem dúvida, podemos todos nos encontrar como amigos de caminhada, trocando nossas percepções, momento a momento, isso não cria ídolos, ao contrário, isso cria amigos nutritivos, amigos evolutivos em percepção consciencial e Graça.
X: Muito bom... Também acho que estamos exatamente em liha horizontal, digamos assim...
N: Não vejo nenhum problema desses auto-intitulados iluminados ganharem seu sustento através, por exemplo, da venda de livros, mas, para poder se congregar presencialmente, estipular um valor minimo para vir falar, isso é um despautério diante do significado da palavra Graça. Agora, os caras cobram e cobram bem caro para você participar do tal Satsang. Eles se filmam, depois vendem, sem a autorização sua, uma vez que teve sua participação e vendem bem carinho, viu, uma mídia de DVD cujo custo no atacado é menos de trinta e cinco centavos. Cara, isso é uma agência muito rentável... Você pega alguns gurus de renome, só de olhar a obesidade de seus corpos, já se constata, sem esforço, a falta de equilíbrio quanto a própria questão alimentar.
X: Cara, esse ponto também não está pacificado para mim... Confesso que algo internamente diz que a "GRAÇA" não é produto de ninguém e consequentemente não seria razoável cobrar, até porque todos tem direito a isso, e da forma como está sendo explorado, fica um luxo para poucos... Entretanto, acho razoável pessoas que realizam efetivamente isso tenham um certo sustento para levar isso a diante... Então, essa medida que é difícil mensurar... Com o limear disso...
N: Mas por que esse sustento precisa vir da venda disso? Você acredita mesmo que alguém dê satsang 24 horas por dia?
X: No sentido de ficar verbalizando isso para outras pessoas, acredito que não.
N: Por acaso ele precisa durante a semana "preparar" os conteúdos de sua fala?
X: Satsang é agora, é expontâneo...
N: Veja o caso de Nisagardatha, tinha uma tabacaria! Só a noitinha se congregava em sua casa. Vivia da venda de cigarros de palha, percebe? Os caras querem é moleza, viajar as custas dos demais... Ninguém conhece a verdadeira face de uma pessoa em apenas duas horas de encontro cadenciado por um clima espiritual, com direito a cheirinho de incenso e musiquinha indiana. O lance é ficar ao lado dela ao menos 48 horas, para ter uma vaga idéia se o que diz condiz com sua realidade na vida de relação. O lance é andar por um tempo ao seu lado, conversar com a família, ver sua relação com eles, ver a grande longitude entre o que diz e o que é no cotidiano... E isso é válido para qualquer um de nós, pois todos temos nossas MAZELAS OCULTAS e é isso que nos faz HUMANOS EM CONSTRUÇÃO.
X: Sim...
N: Agora, sustentar a idéia de um ser em perfeição, é uma papagaida brava.
X: Exato...
N: Sente-se na mesa com um deles e veja o modo apressado e por vezes desmedido com que comem, glutões, soberbos no cotidiano com as pessoas mais próximas, frios e calculistas com as pessoas mais próximas, insensiveis com as pessoas mais próximas, mas, na hora do satsang com cheirinho de insenso... Shazan!!!!!... Se transformam na paz em pessoa... Ah! Para vai!
X: É vero...
X: Irmão, eu peido, arroto, tenho mal hálito, fico puto facilmente e busco por consciência... Isso é buscar ser humano... Daqui a pouco, esses gurus vão falar que peidam com cheirinho de alfazema... Me desculpe pelo exemplo!
X: Tranquilo Nelson, estamos em casa! rs
N: Eu gosto de futebol, vc de outro esporte e, mesmo assim, somos buscadores. Daqui a pouco, me ilumino e passo a dizer que isso é mundano...
X: rs, muito bom... Aceitação por completo!
X: Saio dizendo que que não assisto tv, que não leio livros, jornais... Que não leio livros dos outros, quanta papagaiada barata!... Esteriótipos...
Locais suntuosos, roupas impecaveis destituídas de simplicidade... É facil ver, é só ver... Ver o antes e o depois... Ver o início do trabalho e o trabalho atual... Ver o olhar inicial e o olhar atual... Cara, quando uma idéia entra na mente, ela nunca mais voltará ao seu estado anterior...
X: Cara, que legal sentir absoluta entrega no que você está dizendo!
N: Portanto, mesmo que se eu decida me corromper, ainda terei o conteúdo dentro de mim para ajustá-lo aos meus interesses.
X: e, de verdade, acho que muitos percebem tudo isso que você acabou de expressar, mas continuam, mesmo que sutilmente, agregados a essas imagens que de certa forma, trazem um certo conforto...
N: sim! Isso é um fato! Acabam se corrompendo como fez o Guru do Sexo... É inegavel a qualidade de seus textos, mas olhe seu modo de vida? Bate com seus textos?
X:De fato! E esses dias li algo que falava que a SETA não é aquilo que está sendo apontado...
N: E ai, como nós humanos, amamos o dinheiro, saimos macaqueando esses gurus que viveram desse modo e até os defendemos porque, lá no fundo, invejamos esse modo de vida.
X: O que vejo é que aos sinceros, a graça é revelada, mesmo que para isso use "gurus" como papagaios...
N: Lá no fundo, sonhamos em viver só de "baforadas cósmicas"... Lá no fundo sonhamos em ser uma "autoridade venerada"... Isso parece estar no código genético da humanidade... Limpar as células disso, não é nada fácil.
X: E quando outros confirmam isso, há um reforço nessa idéia.
N: Isso, condicionamento!
X: Tudo é um jogo gracioso... Mesmo assim, a graça continua sendo passada... Que ironia, não?
N: Isso está bem relatado no filme REVOLVER... É o jogo do xadrez, do tabuleiro preto e branco que representa a dualidade humana.
X: Putz, ainda não vi.
N: Já lhe falei: indispensável.
X: Sim! Estou com o link aqui.
N: Muitas fichas cairão para você ao assistir esse filme, que é um filme que só quem tem abertura acaba entendendo sua mensagem de entrelinhas, caso contrário, só mais um filme de violenta troca de tiros com muitas cenas de sangue. Não conseguem perceber que isso é uma representação do conflito que se dá no sangue de nossa mente.
X: Então, a própria dualidade está contida na não-dualidade... E no final chegaremos a esse ponto... Aceitação em SER HUMANO!
N: Sim! Não um SUPRA-HUMANO... Veja por exemplo, essa frase: SER HUMANO.... Indica um processo, pois ainda nem somos humanos, na real, estamos mais para homo demens, não para homo sapiens! E quando nos julgamos iluminados, penso que somos homo demens demens, como diz Leonardo Boff. Ouvi num seminário que levam poucos segundos para arrancar uma roupa, mas quanto tempo é necessário para arrancar nossa rede de ilusões que nos impedem de ser humanos? Ser humano é ser capaz de amar! Não sabemos o que é esse estado que não é ação de escolha, no entanto, buscamos por isso e isso não pode chegar quando abrigamos ilusões ilumináticas, ilusões de perfeição.
X: Sim, isso trata-se do materialismo espiritual.
N: Prefiro ficar com o que é, com o que sou aqui e agora, um cara com algumas dificuldades internas, em busca de compreensão para superá-las,
um cara que vê o fluxo, por vezes, ainda acelerado de sua mente.
X: Exato! Aqui Agora!
N: E que ainda se sente impotente diante do fluxo mental, mas, que no entanto, através da observação, não vêm acrescentando dor e confusão
a dor e confusão do “não-ser” já instalada. Me vejo em constantes entra e sai desse estado de presença. Não tenho isso estabilizado em mim, oscilo entre um estado de ser amoroso e arrogante, tenho todos os demonios me rondando aqui dentro, querendo saltar e assumir controle, mas, os observo em paz... "Faça as pazes com o seu inimigo interno..."
X: Lindo!
N: Já dizia um sábio guru que não vendia a graça e no qual muitos dos gurus auto-proclamados da atualidade, secretamente nele também se baseiam.
X: Muito bom! Meu amigo, estou muito grato por este momento.
N: Eu é que agradeço!
X: agora, vou me arrumar para ir ao trabalho.
N: Agradeço pelo compartilhar de um modo humano de ser e estar na vida de relação... Olhos e coração abertos!
X: Isso é amor. Sei muito bem o que está implícito em tudo que você disse... Pode deixar que estarei de olho! Mas, ainda tenho que estar junto para ver!
N: Sim, de olhos abertos, até a ilusão serve de alimento.
X: Vamu q Vamu...
N: Isso! Tenha um bom serviço.
X: Valeu!
N: Vai lá! Um chute nas canelas, sempre!

De uma conversa via MSN

domingo, 6 de novembro de 2011

Sobre a deterioração da mente



Um homem que está trabalhando, ganhando dinheiro, freqüentando, regularmente um escritório, não se está deteriorando, aparentemente, pois está em atividade; ao cessar, porém, essa atividade, torna-se perceptível a deterioração.
A mente sujeita a uma rotina, seja a rotina de um escritório, de um rito, ou a rotina de um certo dogma, já se está deteriorando, não é verdade?
Por certo, vale muito mais a pena descobrir as causas determinantes da deterioração da mente, do que inquirir por que razão o vosso vizinho se desintegra, quando se retira das atividades. Se pudermos realmente compreender só esta questão, talvez venhamos a conhecer a eternidade da mente.
Por que se deteriora a mente — não apenas a vossa, mas a mente do homem? Pode-se ver que o fator da deterioração surge quando a mente se transforma em máquina de hábito, quando a sua educação é mero exercício de memória, e quando se acha numa luta incessante, procurando ajustar-se a um padrão imposto de fora ou criado por ela própria.
Há medo, deterioração, destruição da mente, quando ela está constantemente a buscar segurança, ou quando onerada do desejo de preencher-se.
E tal é o nosso estado, não é verdade? Ou estamos na sujeição do hábito, da rotina, fazendo a mesma coisa sempre e sempre, exercitando-nos na virtude, ajustando-nos ao padrão de uma disciplina, para chegarmos a um certo resultado, para encontrarmos segurança psicológica ou material; ou, ainda, estamos a competir, a fazer esforços inauditos, na nossa ambição de sucesso mundano.
Certo, é isso o que cada um de nós está fazendo, e, por conseguinte, já pusemos em funcionamento o mecanismo da deterioração. Se qualquer dessas reações existe em nós, em qualquer nível que seja, estamo-nos deteriorando.
Pois bem. Pode a mente renovar-se com freqüência? Pode a mente ser criadora momento por momento?
Não me refiro à criação compreendida como mera atividade de planear e expressar, compreendida como capacidade ou aplicação de uma técnica. Não me estou referindo à criação sob nenhum desses aspectos. Mas pode a mente experimentar o desconhecido? Sem dúvida, só no estado de não cognoscibilidade não há deterioração.
Qualquer outro estado acarretará, por força, o envelhecer da mente. Como qualquer mecanismo posto a funcionar seguidamente durante dias, semanas, meses e anos, a mente, sempre em atividade, se deteriora, inevitavelmente.
Enquanto fizerdes uso da vossa mente como se fosse máquina, para realizar, produzir, ganhar, tendes em vós as sementes da deterioração, da velhice e da decrepitude. E quer se trate de um menino de dezesseis anos ou de um velho de sessenta, o “processo” é o mesmo.
Nós, porém, em geral, não estamos cônscios desse processo de deterioração. Estamos cônscios, apenas, de nos acharmos entre as rodagens da máquina de prazeres e dores e sofrimentos, e da nossa luta para sairmos dela.
A mente, pois, nunca está quieta, despreocupada; sempre se acha envolvida com alguma coisa: com Deus, com o comunismo, com o capitalismo, com o enriquecer, com a opinião dos outros ou... com a cozinha. Com quantas coisas anda ela ocupada! Como está constantemente ocupada, nunca é livre, jamais tranqüila.
Só a mente que está tranqüila — não por estar insensibilizada, mas por encontrar-se naquele estado de silêncio que é criador — só essa mente pode sustar a deterioração.
A imunidade à deterioração não é possível à mente que se preenche pelo exercício de capacidades. A medida que nos tornamos mais idosos, a capacidade se embota. Podeis ser um pianista exímio; com o envelhecer, porém, vem o reumatismo, vêm os achaques, vem a cegueira, ou podeis ser vitimado por um acidente.
A mente que anda à procura de preenchimento, em qualquer sentido, em qualquer nível, já contém em si a semente da destruição. E o “eu” que quer preencher-se, quer tornar-se alguma coisa; vendo-se vazio, frustrado, busca o “eu” preenchimento em minha família, meu filho, minha propriedade, minha idéia, minha experiência.
Quando reconhecemos tudo isso e percebemos-lhe os perigos, só então a mente pode estar vazia momento por momento, dia por dia, não embargada pela carga do passado ou pelo temor do futuro.
O viver naquele momento não é nenhuma coisa fantástica, só concedida a uns poucos. Afinal de contas, como disse, cada um de nós vive num mundo de sofrimento, luta, dor, efêmera alegria, e cada um de nós deveencontrar aquela coisa desconhecida; ela não foi reservada só para um e negada aos demais. É juntos que podemos criar um mundo novo; mas este mundo novo não pode nascer da revolução exterior, que produz decomposição.
A mente se deteriora quando busca um fim, quando se submete à autoridade, nascida do temor. Há um definhar-se da mente, quando não há autoconhecimento, e o autoconhecimento não é uma coisa que se possa aprender de um livro. Ele tem de ser descoberto a cada momento, o que requer uma mente vigilante em extremo; e a mente não está vigilante quando achou um fim.
Assim, o fator que acarreta a deterioração se encontra em nossas próprias mãos. A mente, presa à experiência, vivendo da experiência, nunca encontrará o incognoscível. O incognoscível só pode manifestar-se quando o passado já não existe; e só não existe passado, quando a mente está tranqüila.

Krishnamurti
Percepção Criadora – Ed. Ediouro

O mendigo



Perguntaram a Osho: Por que sou tão mendigo por atenção? O que posso fazer a respeito?
Esta é uma das fraquezas do ser humano, uma das debilidades profundamente enraizadas — pedir atenção. A razão de alguém pedir atenção é porque ele não conhece a si mesmo.

É apenas através dos olhos de outra pessoa que ele pode enxergar seu próprio rosto; ele encontra a sua personalidade na opinião dos outros — o que dizem importa imensamente.

Se eles o negligenciam, o ignoram, ele se sente perdido. Se você passa por alguém e não é notado, você começará a perder aquilo que colocou junto — a sua personalidade.É algo que você colocou junto. Você não a descobriu, ela não é natural — ela é extremamente artificial e arbitrária.

Não é só você que é mendigo por atenção; quase todos são. E toda situação não pode ser mudada até você encontrar seu autêntico eu — o qual não depende da opinião, da atenção, da apreciação e indiferença de ninguém; o qual não tem nada a ver com o outro.

Porque muito poucas pessoas têm sido capazes de descobrir suas realidades, o mundo inteiro está cheio de mendigos. No fundo, todos vocês estão tentando obter atenção; é o alimento da sua personalidade. Mesmo se as pessoas lhe condenarem, lhe criticarem, mesmo se elas estiverem contra você, isto é aceitável; pelo menos estão prestando atenção em você.

Se elas são amigáveis, respeitáveis, é claro que é bem melhor, mas você não pode sobreviver como uma personalidade sem algum tipo de atenção. Pode ser positivo, negativo, não importa. As pessoas devem dizer alguma coisa de você; respeitosamente ou não, ela atende o mesmo propósito.
Osho, em "O Livro do Homem"


Diálogo sobre relacionamento

PENSO que, compreendendo a vida de relação, chegaremos a compreender o que significa independência. A vida é um processo de constante movimento de relações, e sem se compreender a vida de relação, produziremos confusão, e luta, e esforços inúteis. Assim sendo, releva compreender o que significa vida de relação; porque são as relações que constituem a sociedade, e não é possível o isolamento. O que se isola, logo perece.

Nosso problema, pois, não é o de sabermos o que é a independência, mas, sim, o que significa a vida de relação. Com a compreensão da vida de relação, que é a conduta entre seres humanos, quer íntimos, quer estranhos, quer próximos, quer distanciados, começaremos a compreender todo o processo da existência e do conflito entre o cativeiro e a independência. Cumpre-nos, pois, examinar com muito cuidado o que significa vida de relação.

A vida de relação não é no presente um processo de isolamento e, portanto, de conflito constante? As relações entre vós e outra pessoa, entre vós e vossa esposa, entre vós e a sociedade, são produto desse isolamento. Por isolamento queremos dizer que vivemos a todas as horas em busca de segurança, de satisfação e de poder. Afinal de contas, cada um de nós, em suas relações com alguém, busca a satisfação; e onde existe a busca de conforto, de segurança, quer se trate de uma nação, ou de um indivíduo, tem de haver isolamento, e o que está no isolamento provoca sempre conflito. Tudo o que resiste produz necessariamente conflito entre si e aquilo a que está resistindo; e, visto que, na maioria dos casos, as nossas relações constituem uma forma de resistência, criar uma sociedade que gera, necessariamente, o isolamento e, portanto, conflito, dentro e fora desse isolamento. Precisamos, pois, examinar as relações e sua função em nossas vidas. Afinal de contas, o que eu sou — minhas ações, meus pensamentos, meus sentimentos, meus impulsos, minhas intenções — produz aquela relação entre mim e outra pessoa, o que chamo sociedade. Não existe sociedade sem essa relação entre duas pessoas; e antes de podermos falar de independência, de agitar bandeiras, e tudo o mais, cumpre-nos compreender a vida de relação, o que significa que devemos exa minar a nós mesmos em nossas relações com os outros.


Ora, se examinamos a nossa, vida, as nossas relações com os outros, veremos que são um processo de isolamento. Na realidade não nos importamos com os outros. Embora falemos muito a tal, respeito, o fato é que não nos importamos. Vivemos em relação com alguém só enquanto essa relação nos satisfaz, enquanto nos proporciona um refúgio, enquanto nos apraz. Mas, no momento em que ocorre em nossas relações uma perturbação que gera desconforto em nós, abandonamos essas relações. Por outras palavras, só existem relações, enquanto nos dão prazer. Pode parecer severo isso, mas se realmente examinardes, com muita atenção a vossa vida, vereis que é um fato; e evitar um fato é viver na ignorância, e isso nunca produzirá relações adequadas. Assim, se examinamos as nossas vidas e observamos as nossas relações, vemos que elas constituem um processo em que levantamos resistência uns contra os outros, em que erguemos uma muralha, por cima da qual olhamos e observamos os outros; mas conservamos sempre a muralha e permanecemos atrás dela, quer seja uma muralha psicológica, quer seja uma muralha material, uma muralha econômica, uma muralha nacional. Enquanto vivemos no isolamento, não há relações com outra pessoa; e vivemos fechados, porquanto isso nos dá muito mais satisfação, porque pensamos que é muito mais seguro. O mundo está tão cheio de divisão, há tanta aflição, tanta dor, tanta guerra, destruição, miséria, que desejamos fugir e viver dentro das seguras muralhas do nosso ser psicológico. Nessas condições, a vida de relação, para a maioria de nós, é deveras um processo de isolamento e é bem claro que tais relações hão de constituir uma sociedade também tendente ao isolamento. É isso mesmo que está acontecendo no mundo inteiro: permaneceis em vosso isolamento e estendeis a mão por cima da muralha, chamando a isso nacionalidade, fraternidade, ou o que quiserdes; mas o fato é que continuam a existir os governos soberanos e os exércitos. Isto é, apegados às vossas próprias limitações, pensais criar a unidade mundial, a paz mundial — o que é impossível. Enquanto tiverdes uma fronteira nacional, econômica, religiosa, ou social, é óbvio que não ha verá paz no mundo.

Ora bem: o processo de isolamento é um processo de busca de poder e, quer desejemos o poder para nós mesmos, quer o desejemos para um grupo nacional ou racial, haverá isolamento pois o próprio desejo de poder, de posição, significa separatismo. Afinal de contas é isso o que deseja cada um de nós, não é verdade? Cada um deseja uma posição poderosa, na qual possa exercer domínio, seja no lar, seja no escritório, seja num regime burocrático. Cada um busca o poder, e conseqüentemente há de fundar uma sociedade baseada no poder — militar, industrial, econômico, etc .— o que também é óbvio. O desejo de poder não gera, por sua própria natureza, o isolamento? Julgo muito importante compreender isso; porque, se desejamos um mundo pacífico, um mundo sem guerras, sem destruição aterradora, sem aflições catastróficas, numa escala imensurável, temos de compreender essa questão fundamental, não achais? Enquanto o indivíduo busca o poder, seja em grande escala, seja em pequena escala, quer como Primeiro Ministro, como governante, como advogado, quer como simples marido ou esposa, no lar, isto é, enquanto houver o espírito de domínio, o espírito de compulsão, o espírito de aquisição de poder, influência, não podeis deixar de criar uma sociedade que é o resultado de um processo de isolamento, porquanto o poder, por sua própria natureza, é um fator de separação. O homem afetuoso, bondoso, não tem o espírito do poder, e por conseguinte não está ligado a nenhuma nacionalidade, a nenhuma bandeira. Mas o homem em busca do poder, sob qualquer forma que seja, quer derivado da burocracia, quer da auto-projeção que ele chama Deus, continua preso a um processo de isolamento. Se examinardes muito atentamente esta questão, vereis que o desejo de poder, por sua própria natureza, é um processo de enclausuramento. Cada um está interessado na própria posição, na própria segurança, e enquanto existir esse impulso a sociedade tem de estar baseada num processo de isolamento. Sempre que existe a busca do poder há o processo de isolamento, e aquilo que vive isolado cria necessariamente o conflito. É isso mesmo que está acontecendo no mundo inteiro: cada grupo ambiciona o poder e está, com isso, isolando a si mesmo. Tal é o processo do nacionalismo, do patriotismo, que leva, afinal, à guerra e à destruição.

Ora bem; sem relações não há possibilidade de existência; e enquanto as relações estiverem baseadas no poder, haverá o processo de isolamento, que inevitavelmente gera conflito. Não há coisa tal como viver no isolamento: nenhum país, nenhum povo, nenhum indivíduo pode viver em isolamento; todavia, porque viveis em busca do poder, por tantas maneiras diferentes, criais o isolamento. O nacionalista é uma maldição, porquanto, em virtude do seu espírito nacionalista, patriótico, está levantando urna muralha de isolamento. Tão identificado está com a sua nação, que ergue uma muralha contra outra nação. E que acontece, senhores, quando levantamos uma muralha contra alguma coisa? Esta coisa fica constantemente a chocar-se contra a muralha. Quando resistis a alguma coisa, a vossa resistência é uma indicação de que estais em conflito com essa coisa. Está visto, pois, que o nacionalismo, que é um processo de isolamento, que é o resultado da busca do poder, não pode implantar a paz no mundo. O homem que é nacionalista e fala de fraternidade está mentindo, está vivendo em estado de contradição.

Ora, a paz é essencial no mundo, pois, do contrário, seremos destruídos. Uns poucos escaparão, mas haverá uma destruição sem paralelo, a menos que resolvamos o problema da paz. A paz não é um ideal. Todo ideal, como já vimos, é fictício. O que é real tem de ser compreendido, e essa compreensão do real é impedida pela ficção a que chamamos ideal.






O fato real é que cada um está em busca do poder, de títulos, de posições de mando, etc. — sendo tudo isso disfarçado, de várias maneiras, com palavras bem intencionadas. Esse problema é vital, não é um problema teórico, não é um problema susceptível de adiamento: ele exige ação imediata, pois é bem evidente que a catástrofe se aproxima. Se ela não vier amanhã, virá no ano próximo, ou um pouco mais tarde, porque o impulso do processo de isolamento já existe. E todo aquele que medita sobre isso tem de atacar a raiz do problema, que é a busca individual de poder, que cria o grupo, a raça, a nação, todos ambiciosos de poder.



Ora, pode uma pessoa viver no mundo sem o desejo de poder, de posição, de autoridade? Pode, é claro. Uma pessoa o faz, quando não se identifica com algo maior do que ela. Esta identificação com algo maior — o partido, a nação, a raça, a religião, Deus — é o desejo de poder. Porque, em vós mesmos, sois vazios, inertes, fracos, gostais de identificar-vos com algo que seja maior do que vós. Esse desejo de vos identificardes com urna coisa maior é o desejo de poder. Eis porque o nacionalismo ou qualquer espírito comunalista representa uma maldição tão grande no mundo; é sempre o desejo de poder. Assim, o que mais importa, para a compreensão da vida, e portanto das relações, é descobrir o motivo que impele cada um de nós; pois o que esse motivo é, o ambiente também é. Esse motivo produz paz ou destruição no mundo. É por conseguinte de grande importância que cada um de nós fique cônscio de que o mundo está em estado de aflição e destruição e compreenda que, se consciente ou inconscientemente, estamos em busca do poder, estamos contribuindo para a destruição e, logo, nossas relações com a sociedade serão um constante processo de conflito. Há múltiplas formas de poder: ele não significa apenas a aquisição de posição, e de riquezas. O próprio desejo de sermos alguma coisa é uma forma de poder, que acarreta isolamento e, portanto conflito; e, a não ser que cada um compreenda o motivo, a intenção de suas ações, a mera legislação governamental é de mui pouca valia, por quanto o interior sempre há de superar o exterior. Podeis levantar exteriormente uma estrutura pacífica, mas os homens que a dirigirem a alterarão de acordo com sua intenção. Eis porque muito importa àqueles que desejam criar uma nova civilização, uma nova sociedade, um novo estado, eis porque muito importa que compreendam primeiro a si mesmos. Ao tornar-nos cônscios de nós mesmos, dos nossos vários movimentos e flutuações interiores, compreenderemos os motivos, as intenções, os perigos que jazem ocultos; e só nesse percebimento há transformação. A regeneração só poderá vir quando cessar a busca de poder; e só então poderemos criar uma nova civilização, uma sociedade não baseada no conflito, mas na compreensão. A vida de relação é um processo de auto-revelação, e se, sem compreendermos a nós mesmos, as tendências da nossa mente e de nosso coração, tratamos de estabelecer uma ordem externa, um sistema externo, uma fórmula astuciosa, isso tem muito pouco valor. Assim, o que importa é compreendermos a nós mesmos em nossas relações com os outros. As relações, nesse caso, se tornam, não um processo de isolamento, mas um movimento no qual descobrimos os nossos próprios motivos, nossos próprios pensamentos, nossos próprios interesses; e esse mesmo descobrimento é o começo da libertação, da transformação. Ê só essa transformação imediata que pode produzir, no mundo, a revolução fundamental, radical que se torna tão premente. Uma revolução dentro das muralhas de isolamento, não é revolução. A verdadeira revolução só será possível depois de destruirdes as muralhas de isolamento, e isso só ocorrerá quando não mais estiverdes em busca de poder.

Krishnamurti – 15 de agosto de 1948


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Escola Animal



Um amigo me enviou esta linda história. Eu gostaria que você a conhecesse; ela pode ajudar. A história se intitula "A Escola Animal".
Um dia os animais se reuniram na floresta e decidiram criar uma escola.

Havia um coelho, um pássaro, um esquilo, um peixe e uma enguia, e eles formaram uma Diretoria.

O coelho insistiu na inclusão da corrida no currículo. O pássaro insistiu na inclusão do voo no currículo. O peixe insistiu na inclusão da natação no currículo. E o esquilo disse que a subida perpendicular em árvores era absolutamente necessária ao currículo.

Eles juntaram todas essas coisas e escreveram um roteiro do currículo. Então insistiram em que todos os animais aprendessem todas as matérias.

O coelho, embora tirasse um "A" em corrida, teve uma enorme dificuldade em subida perpendicular em árvores. Ele sempre caía de costas. Logo ele teve um tipo de dano cerebral e não conseguiu mais correr. Ele descobriu que, em vez de tirar "A" em corrida, estava tirando "C", e, é claro, sempre tirou "F" na subida perpendicular.

O pássaro saiu-se maravilhosamente bem em voo, mas quando teve de escavar o chão ele não se saiu tão bem. Sempre quebrava o bico e as asas. Logo ele estava tirando "C" em voo, além de "F" em cavar tocas, e todas as suas tentativas de subida perpendicular em árvores foram um fracasso.

Por fim, o animal que concluiu o curso e fez o discurso de formatura foi a enguia, que era mentalmente retardada e conseguira fazer um pouco de todas as matérias mais ou menos pela metade.

Mas os educadores ficaram contentes porque todos estavam recebendo aulas sobre todas as matérias e aquilo foi chamado de "uma educação abrangente".

Nós rimos da história, mas é assim que as coisas são. É o que aconteceu com você.

Nós realmente estamos tentando fazer todo mundo igual a todo mundo, por isso destruímos o potencial de todos para serem eles mesmos.
Osho, em "Intuição: O Saber Além da Lógica"

O caminho do homem inteligente.

 

O caminho do homem inteligente é o caminho do coração, porque o coração não está interessado em palavras; ele está interessado somente no sumo que vem nos recipientes das palavras.

Ele não acumula recipientes, ele simplesmente bebe o suco e joga fora o recipiente.

A mente faz exatamente o contrário: ela joga fora o suco e amontoa os recipientes. Os recipientes parecem bonitos e uma grande coleção deles faz do homem um gigante intelectual.
Osho, em "The Path of the Mystic"

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Falso Princípio Da Nossa Educação



  
Título: O Falso Princípio Da Nossa Educação
Autor: MAX STIRNER
Editora: IMAGINÁRIO
Assunto: PEDAGOGIA
ISBN: 8585362766
ISBN-13: 9788585362768
Livro em português
Brochura 1ª Edição - 2001

Este livro revela que a miséria da educação reside em grande parte no fato de que o saber não se sublimou para tornar-se vontade, realização de si, prática pura. Mostra que os realistas sentiram essa necessidade e preencheram-na, formando homens práticos, sem idéias e sem liberdade.

O que Stirner condena é o homem prático que faz da Ciência uma idéia fixa, que se torna seu escravo, que não sabe mais gozar a vida e que está atormentado por preocupações mesquinhas que sufocam sua personalidade, seu Eu. É preciso entrar e sair do domínio da Ciência segundo bem lhe aprouver. A Ciência não é um fim em si, é só um meio para que eu goze do meu Eu. Para o egoísta consciente, para o Único, "toda coisa é apenas um meio do qual é, em última análise, seu próprio objetivo".

Um cidadão submisso e utilizável, tal é ainda -- é muito mais do que na época de Stirner ou de Nietzsche -- o produto ideal da educação oficial. Nunca se falou tanto de ligação entre a Universidade e a economia, de preparação dos futuros quadros exigidos pela expansão industrial. A técnica moderna necessita de técnicos e não de homens livres ou personalidades voluntárias. Muitos jovens fazem estudos literários que não são "rentáveis", que não oferecem "empregos". Abram espaço para o ensino técnico, para os intitutos tecnológicos: ali se fará obra útil e se "ganhará a vida"!

O leitor comprenderá o quanto o ensaio de Stirner resta atual, 140 anos depois de seu aparecimento!


"A miséria de nossa educação até os nossos dias reside em grande parte no fato de que o Saber não se sublimou para tornar-se Vontade, realização de si, prática pura. Os realistas sentiram essa necessidade e preencheram-na, mediocremente por sinal, formando "homens práticos" sem idéias e sem liberdade. A maioria dos futuros mestres é o exemplo vivo dessa triste orientação. Cortaram-lhes magnificamente as asas: agora é sua vez de cortar as dos outros! Foram adestrados, é sua vez de adestrar!"


Max Stirner

 


 

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O povo não precisa de liderança, o povo precisa de consciência e tem muita gente fazendo esse trabalho, acadêmicos e não acadêmicos. Eu sei porque eu trabalho em favela muitas vezes e sei que tem muito movimento cultural rolando. Tem muito trabalho de base acontecendo. Ele não aparece e é bom que não apareça, porque se aparecer, o sistema vai lá pra acabar com aquilo. ( Eduardo Marinho )