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Como desconhecidos , porém bem conhecidos ; como morrendo , porém vivemos ; como castigados , porém não mortos ; Como entristecidos , porém sempre alegres ; pobres, mas enriquecendo a muitos ; nada tendo , mas possuindo tudo.

Evangelho de : Paulo



domingo, 25 de dezembro de 2011

Nada existe separadamente




Uma garota contou à amiga que tinha ficado noiva de um vendedor que costumava viajar muito.
"Ele é bonito?", perguntou a amiga.
"Veja, ele jamais se destacaria na multidão."
"Ele tem dinheiro?", continuou a amiga.
"Se ele tem, não costuma gastá-lo."
"E com relação a maus hábitos. Ele tem algum?"
"Bem, ele bebe bastante", disse a futura esposa.
"Eu não entendo você", disse a amiga. "Se você não consegue dizer nada de bom a respeito dele, então por que está se casando com ele?"
"Ele viaja o tempo todo", respondeu ela, "e eu não vou vê-lo nunca."

Essa é a única coisa boa com relação a isso — e essa é a coisa boa sobre o deus dos padres: você nunca vai vê-lo. É por isso que você continua acompanhando o padre.

Para evitar Deus, você segue o padre. Para evitar Deus, você lê a Bíblia. Para evitar Deus, você entoa os Vedas. Para evitar Deus, você se torna um estudioso, um pensador. Para evitar Deus, você está fazendo tudo o que é possível.

Mas por que você quer evitar Deus? Por que, em primeiro lugar, você quer evitar Deus? Existem razões para isso. Basta a ideia de Deus para gerar um medo incrível, porque Deus vai significar a morte para seu ego. Você não vai existir se Deus estiver presente.

O grande místico indiano Kabir disse: "Olhe a ironia disso. Quando eu estou, Deus não está; agora Deus está, e eu não estou. De qualquer modo, o encontro não se deu". Porque para um encontro, são necessárias pelo menos duas pessoas. "Quando eu estava, Deus não estava; agora Deus está, e eu não estou."

O temor é porque você vai ter de perder a si mesmo. Você tem medo da morte; é por isso que você tem medo da morte; é por isso que tem medo de Deus. E é por isso que tem medo do amor, e é por isso que tem medo de tudo o que é grande.

Você está muito ligado a esse falso ego que nunca dá nada a não ser infelicidade e dor, mas ao menos lhe dá o sentimento de que você existe. Preste atenção nisso. Medite sobre isso.

Se você quer existir, então sempre irá cair na armadilha do padre. Na verdade, você não existe. Toda a ideia é uma falsa noção. Como você pode existir? As ondas existem, mas não separadas do oceano. Da mesma forma, nós existimos: não separados do oceano da existência.

É isso que Deus é. As folhas existem, mas não separadas da árvore. Tudo existe, mas nada existe separadamente.
  
Osho


sábado, 24 de dezembro de 2011

A superficialidade do cérebro



O cérebro vive na sombra de seu próprio sofrimento, incapaz de transcender sua futilidade. Ativo ou inerte, nobre ou ignóbil, é infinita sua superficialidade. Incapaz de escapar de si mesmo, vive na sordidez de sua virtude e moralidade. Só lhe resta permanecer imóvel, o que não deve ser confundido com inércia ou indolência. Esta imobilidade é a única maneira de se preservar a sensibilidade do cérebro.

(...) A imensidão do Indescritível somente aflora na completa imobilidade do cérebro.

J. Krishnamurti (Diário de Krishnamurti)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Mediana mediocridade de ser



Levou muito tempo para perceber uma triste realidade operante: as pessoas não são culpadas por viverem num constante estado mediano. Na realidade, a palavra que eu gostaria de me referir para retratar o estado de ser em que a grande maioria vive, é a palavra “mediocridade”. Mas, como sei que a grande maioria recebe esta palavra de forma bastante agressiva, vou ficar com a palavra “mediano”. Não há nada de errado em fazer uso da palavra “mediocridade” para me referir ao estado de ser e estar na vida de relação em que a grande maioria, a massa se permite estar. Mediocridade, significa um estado entre o bom e o mau, e é preciso ter sempre em mente e coração que o bom sempre se fez inimigo do melhor. Viver na mediocridade, significa se permitir um modo de vida medíocre, ou seja um modo de vida mediano, sempre igual ao da média, ordinário, sofrível, vulgar — não o vulgar de obscenidade (se bem que em muitos casos é bem isso que ocorre) —, um estado de ser que não permite a expressão do real talento pessoal, somente aquilo que tem pouco valor e que por isso, tem pouco merecimento. O estado de mediocridade é o estado que nos mantém interiormente insuficientes, mesmo que exteriormente, — apesar da pessoa medíocre não sentir assim —, se faça presente tudo o que materialmente se faz necessário para um modo digno de se estar na vida.
..........Como dizia, as pessoas não são culpadas pelo presente estado de mediocridade de suas mentes, por não se verem vitimas da contagiosa mediocridade humana. Todos fomos “adestrados” desde a mais tenra idade para ver na mediocridade, um fator de sucesso. Não é preciso ser um sociólogo para constatar a veracidade desta afirmação: o que é medíocre é que faz sucesso! O que é medíocre é o que dá ibope! O que é medíocre é o que gera voto... A maioria nunca conheceu ou desfrutou de outro estado de ser. Nunca se viu em contato constante, nunca foi excessivamente exposto a ambientes diametralmente opostos ao estado de contagiosa mediocridade. Quase sempre, o ambiente em que se encontravam estava repleto de imitação, repleto de veneração ao que é tradicionalmente estabelecido, sempre permeado por conversas paltadas na trivialidade dos acontecimentos, em conversas que nunca apontavam e que nunca apontam para o que há de mais essencial: a descoberta de sua real natureza. Em vista disso, como poderia ser diferente? Como poderia ser diferente, se desde a nossa infância, somos educados por educadores completamente deseducados sobre si mesmos? Como poderia ser diferente, se em nossa educação, nunca fomos incentivados a fazer perguntas fundamentais, a questionar sempre, a querer ver por si mesmo, ao contrário, sempre forçados, amestrados, adestrados a aceitar o prato pronto de certezas incertas?
..........Definitivamente, as pessoas não são culpadas por isso, não são culpadas por se manterem medíocres. Elas não têm escolha, nunca tiveram. Enquanto seu Ser não se satura da excessiva e contagiosa carga de mediocridade, enquanto seu ser real não dá através da experiência do absurdo, o ar de sua graça, não há como conhecer outra possibilidade, não há como conhecer outra realidade possível.
..........Diz um grande amigo meu, que as pessoas, quando nesse estado de mediocridade, não precisam de modo algum de serem por nós atacadas, uma vez que elas mesmas estão sempre a se auto-atacarem, estão sempre auto-boicotando suas possibilidades de real bem-estar. Essas pessoas, merecem de nossa parte, carinho e proteção, acolhimento e proteção de si mesmas. Não é preciso querer modificá-las, muito menos se trata de querer “aceitá-las”. Trata-se tão somente de estar ao lado destas pessoas, sempre conectado a este estado de Presença, este estado de Presença que sabe muito melhor do que nosso limitado conhecimento, nosso limitado achismo, — fruto de nosso intelecto —, o que poderia ou não ser melhor para essas pessoas. Aliás, viver nessa forma de achismo é um grande sinal da presença de, em nós, um estado medíocre de ser. Quando vivemos presos nesses achismos do que é ou não é melhor para o outro, do que é ou não melhor para o mundo, trata-se do sujo falando do mal vestido. Se podemos fazer algo de realmente significativo para estas pessoas, esse algo se apresenta no trabalho pessoal de se manter em constante contato consciente com este divino, amoroso e caloroso estado de Presença. Ficar nesta calorosa Presença, e permitir que esta Presença, Seja, que Ela atue em sua forma preferida: o silêncio do anonimato. Estas pessoas não precisam de barulho; de barulho, suas mentes já estão cheias. Elas precisam da saneadora, da curativa ação do silêncio do Ser, elas precisam de um mergulho no Ser. Se elas não podem criar o ambiente necessário para que, através do silêncio, esta Presença, Seja e atue, podemos, quando com elas, fazer a nossa parte.
..........Definitivamente, as pessoas não tem culpa alguma de estarem até o último fio de cabelo, permeadas por tal contagiosa mediocridade coletiva. Elas não são culpadas: são apenas, co-responsáveis. Elas não precisam de mais rótulos e julgamentos. Elas precisam de amor... E para isso, eu sou responsável!

..........Nelson Jonas

Ensino Superior



O que conta no "Ensino Superior":

A presença de um bolso pagante

E a indiferença à mente pensante.



Nelson Jonas

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sob Pressão



Quem esta sob pressão?
Quem é aquele que pressiona?
Quem é aquele que se submete a pressão?
Qual a origem da pressão?
O que da continuidade e vida a pressão?
Por que a pressão não termina?
Por que?Por que?Por que?


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O poder e a corrupção



Ainda que Deus é a fonte última de toda energia,

o eu tem a tendência a empregá-la mal para

seus próprios propósitos ignorantes.

Bernadette Roberts



"É fácil ser monge no alto da montanha", de diz, e com razão. Nas montanhas, a sós, você não tem que pelejar mais do que com a sua própria mente e suas forças internas. Enquanto o monge permanece recluso (ainda que pense estar iluminado muito antes que assim seja) não causa dano, exceto a si mesmo, supostamente. Porém, quando desce da montanha e volta a entrar no mundo das relações humanas, tudo se manifesta externamente. Toda tendência interna frente ao abuso do poder — o que chamamos "corrupção" — tem uma contraparte externa. Além do mais, o mundo externo muitas vezes não oferece clareza e verdade, senão que se faz de espelho da corrupção interior. Os mundos internos e externos estão cheios de oportunidades para que se manifeste a corrupção no indivíduo que tenha ainda que seja mínima vulnerabilidade não revelada para as seduções do poder.



O poder, em si mesmo não é algo ruim. Só os indivíduos verdadeiramente poderosos são capazes de produzir transformações positivas nos outros e no mundo. Os grandes políticos, os líderes espirituais e indivíduos menos conhecidos que tem influenciado e afetado seus ambientes são todos eles pessoas poderosas. O poder em si mesmo é uma força neutra, objetiva, que só se corrompe quando se usa com propósitos egocêntricos ou egoístas. Por exemplo, o poder da CEO é útil quando oferece um ambiente de trabalho saudável para os empregados da companhia, não explora os recursos humanos nem materiais e oferece um serviço necessário às pessoas. Esse mesmo poder se corrompe, não obstante, quando se usa para propósitos puramente egocentrados: controlar os outros, acumular irracionalmente lojas de recursos enquanto outros lutam para obter o mínimo, produzir produtos que causam danos ao ambiente, etc.



Joel Kramer e Diane Alstad, co-autores de The Guru Papers, afirmam:



As corrupções do poder tem lugar quando manter o poder se converte em algo fundamental e mais importante que seu efeito sobre os outros. Ainda que este tipo de perigo está presente em toda interação humana, quando as possibilidades de corrupção se intensificam é quando se unem o poder e a posição... A hierarquia e a autoridade formam parte da paisagem humana. Ambos se tornam autoritários quando sua principal tarefa passa a ser a sustentação do poder.



A maioria dos mestres espirituais detém um enorme poder pessoal, inclusive quando se trata de pseudosmestres ou mestres não totalmente realizados. Muitos estudantes espirituais detém igualmente tal poder. Este poder é neutro em si mesmo, um pré-requisito para guiar com eficiência aos outros. Bem, agora, há que se estar vigilante para perceber quando o ego e o desejo se mesclam com esse poder até o ponto de dominá-lo.




Sobre a dificuldade de abandonar grupos

Diante de tantos abusos e absurdos cometidos pelos auto-intitulados "pastores, bispos , apóstolos" e seus subordinados, porque tantos evangélicos membros de seitas pseudo-evangélicas têm tanta dificuldade de abandonar o templo?

COVARDIA? CONIVÊNCIA, BURRICE?
Eu fico com as três alternativas. Confira a fala de Caio Fabio:



O que nos ajuda a explicar, por exemplo, você que está ai e que já entendeu os enganos da religião, já discerniu as maracutaias de muitos líderes, já discerniu o comércio da fé que é efeito, já discerniu todo o estelionato produzido, já compreendeu como o circo funciona, já compreendeu que não tem espírito santo, tem é marketing, publicidade, propaganda, volúpia, ganância e trabalho ganancioso e voluntariado explorado nesse chamado "crescimento explosivo da igreja", o que tem é isso ai!... Ele já discerniu isso tudo mas o cara continua sofrendo!...





Eu sei que está tudo errado mas eu não consigo deixar de ir porque eu tenho amigos lá... Eu tenho amigos!... E por causa dos amigos o cara vai engolindo, engolindo, engolindo e por causa dos amigos, tem gente que se mata junto com os amigos. E tem gente que não se mata junto com os amigos mas que fica com saudades da morte pra sempre, como milhares vivendo ali estão! Já compreenderam tudo mas não conseguem interiormente fazer a ruptura porque se sentem como se estivessem traindo "o amor"... Porque eram pessoas que ele amou e que o amaram — e que fizeram essa loucura — se ele disser: "o que eles fizeram é uma loucura e eu não compactuo com essa loucura", parece que ele está traindo o amor dos que o amaram e o acolheram. Para não trair tal amor, ele fica fazendo a confissão do que ele mesmo não crê, porque se ele cresse, teria ido junto, mas, para não negar o amor...



É exatamente na sua situação, que graças a Deus não se matou, mas já se suicidou muitas vezes... Quantas vezes você já se suicidou? Quantas coisas da sua consciência, que a sua consciência dizia "não, não, não, não faz! Evangelho não é isso!"... Mas o pastorzão já chegava e dizia: "Em nome do Senhor, quem estiver na visão, siga-me!" E ai você vai se matando todinho, se esfolando, mas vai por amor aos irmãos, pra não trair!... Porque não se entendeu até hoje que o que importa é obedecer a Deus, do que aos homens!...

 
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O povo não precisa de liderança, o povo precisa de consciência e tem muita gente fazendo esse trabalho, acadêmicos e não acadêmicos. Eu sei porque eu trabalho em favela muitas vezes e sei que tem muito movimento cultural rolando. Tem muito trabalho de base acontecendo. Ele não aparece e é bom que não apareça, porque se aparecer, o sistema vai lá pra acabar com aquilo. ( Eduardo Marinho )