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Como desconhecidos , porém bem conhecidos ; como morrendo , porém vivemos ; como castigados , porém não mortos ; Como entristecidos , porém sempre alegres ; pobres, mas enriquecendo a muitos ; nada tendo , mas possuindo tudo.

Evangelho de : Paulo



domingo, 29 de abril de 2012

Comunidade Mauá, o anúncio de um novo Pinheirinho.



Prepara-se o aparato de segurança pública para cometer mais um crime social, mais um crime moral, mais um crime do Estado contra a nação brasileira, contra a população mais pobre desta nação, sua maioria. Mais uma vez se vê claro, a coisa pública imersa na privada, governos, legislaturas e magistraturas defendem os interesses econômicos de minorias ricas, empresários gananciosos e desumanos. Não preciso dizer muita coisa, os fatos falam por si. As campanhas eleitorais, financiadas por grandes empresários, são funcionários dos seus financiadores, em acertos feitos durante as campanhas, por exigência óbvia dos patrões.

Como acreditar em democracia? Nunca tivemos uma democracia, não sabemos o que é uma democracia. E esse papo de "redemocratização" é uma grande mentira. Os militares foram removidos do poder aparente para a construção de um cenário fajuto de democracia, que se desmente a cada ato do Estado e das suas instituições, a cada ano na sangria orçamentária para os cofres dos bancos internacionais de metade do orçamento que tem o destino desviado da sua função, os serviços públicos, para os tesouros acumulados dos verdadeiros ditadores das políticas públicas, um punhado de magnatas sub-humanos que se apropriaram de todos os meios que poderiam resolver os problemas da humanidade, para manter o controle sobre as sociedades e concentrar mais e mais poder, às custas do sofrimento das massas.

Está rolando um lento despertar, espalhado por aí, sob inúmeras formas. As mentiras, pouco a pouco, vão sendo reveladas, vão sendo percebidas, no ritmo do tempo, em evolução permanente. Que não se espere resultados plenos e rápidos. Participar do processo, de forma lúcida e persistente, já dá satisfação e sentido à vida. A caminhada se faz passo a passo. E, na minha opinião, começa dentro de cada um, pra depois se espalhar, com base no exemplo, nos valores, nos comportamentos - e não na posse da verdade, na definição de um único caminho, no arrebanhamento ideológico. Por aí, não vai e, quando foi, deu merda.

A arrogância dos revolucionários europeístas, seguidores invariáveis de pensamentos alheios, inutiliza ou, no mínimo, enfraquece suas ações, isola-os da população e os restringe a inexpressivas minorias, embora barulhentas - servindo apenas à composição do cenário falsamente democrático.

Eduardo Marinho

sábado, 21 de abril de 2012

Oscar Wilde fala sobre Jesus Cristo



Esta é, até onde posso alcançar, a suprema realização da vida artística. Pois ela é simples autodesenvolvimento. A humildade, num artista, é a sua franca aceitação de todas as experiências, assim como o amor para o artista é simplesmente o sentido da beleza que revela ao mundo seu corpo e sua alma. Em Marius, o Epicurista, Pater tenta reconciliar a vida artística com a vida religiosa no sentido profundo, doce e austero do termo. Mas Marius é pouco mais que um mero espectador. Um espectador ideal, é verdade, ao qual foi concedido o dom de “contemplar o espetáculo da vida com as emoções apropriadas”, que Wordsworth define como sendo o verdadeiro objetivo do poeta, mas ainda assim um simples espectador e talvez por demais ocupado em contemplar a beleza dos bancos do santuário para perceber que contemplava apenas o refúgio do sofrimento.
« Vejo uma conexão bem mais íntima e imediata entre a verdadeira vida de Cristo e a verdadeira vida do artista e sinto um intenso prazer ao pensar que muito antes que o sofrimento tivesse se apossado dos meus dias e me prendido à roda do suplício, eu já tinha escrito em A Alma do Homem sob o Socialismo que aquele que vivesse uma vida semelhante à de Cristo deveria ser inteira e absolutamente fiel a si mesmo, e tinha escolhido como meus modelos não apenas o pastor na vertente da colina ou o prisioneiro em sua cela mas o pintor e o poeta, para os quais o mundo é um espetáculo brilhante, ou uma canção. Lembro que uma vez disse a André Gide, quando conversávamos sentados num café qualquer de Paris, que, embora a metafísica tivesse muito pouco interesse para mim e a moral absolutamente nenhum, não havia nada que Platão ou Cristo tivessem dito que não pudesse ser transposto imediatamente para o âmbito da arte e ali encontrar completa realização.»
(…)
« No seu livro A Vida de Jesus – o Quinto Evangelho, o Evangelho segundo São Tomás, como poderíamos chamá-lo -, Renan nos diz que a maior realização de Cristo foi ter se feito amar depois de morto tanto quanto fora amado em vida. E não há dúvida de que, se o seu lugar está entre os poetas, ele é o maior de todos os amantes. Ele percebeu que o amor era o primeiro segredo do mundo, o segredo que os homens sábios procuravam e que só através do amor era possível chegar ao coração do leproso ou aos pés de Deus.
« E, acima de tudo, Cristo é o supremo individualista. A humildade como a aceitação artística de todas as formas de experiência é apenas um tipo de manifestação. O que Cristo procura sempre é a alma do homem. Ele a chama de “Reino de Deus” e a encontra em todos nós. Ele a compara às pequenas coisas, a uma sementinha, um punhado de levedo, uma pérola. Isto porque só podemos perceber a nossa alma se nos libertarmos de todas as paixões estranhas, toda a cultura adquirida, todas as possessões externas, quer sejam elas boas ou más.
« Eu resisti a tudo com uma certa dose de teimosia e um espírito rebelde, até que nada mais me restava no mundo, salvo uma coisa. Havia perdido meu nome, minha posição, a felicidade, a liberdade, a riqueza. Era um prisioneiro e um mendigo. Mas ainda tinha meus filhos. De repente, eles me foram tomados por força da lei. Foi um golpe tão terrível que fiquei sem saber o que fazer e prostrei-me de joelhos, curvei a cabeça e chorei, exclamando: “O corpo de uma criança é como o corpo do Senhor, eu não mereço nenhum dos dois”. Aquele momento pareceu salvar-me. Percebi então que a única coisa a fazer seria aceitar tudo. Desde então – embora possa sem dúvida parecer estranho – sou mais feliz. Naturalmente, naquele instante eu conseguira alcançar a própria essência da minha alma. Quando conhecemos a nossa alma, tornamo-nos simples como crianças, tal Como Cristo ensinou que deveríamos ser.
« É trágico ver quão poucas pessoas chegam a “possuir suas próprias almas” antes de morrer. “Nada é mais raro num homem” – diz Emerson – “do que um ato independente”. E é verdade. A maior parte das pessoas são outras pessoas. Seus pensamentos são os pensamentos dos outros, suas vidas são uma imitação de outras vidas, suas paixões, citações de um texto já lido. Cristo não foi apenas o supremo individualista, mas o primeiro individualista da História. Tentaram fazer dele um filantropo vulgar igual a tantos outros, ou colocá-lo ao lado dos sentimentais e dos espíritos não-científicos, como se tivesse sido apenas um simples altruísta. Mas na verdade ele não era nem uma coisa nem outra. Sentia compaixão pelos pobres, por aqueles que viviam encarcerados nas prisões, pelos humildes, pelos miseráveis, mas tinha muito mais pena dos ricos, dos hedonistas, daqueles que perdem a liberdade, escravos das coisas materiais, dos que usam ricas vestes e vivem em casas dignas de reis. Para ele, riqueza e prazer pareciam tragédias bem maiores do que a pobreza e o sofrimento. E quanto ao altruísmo, quem melhor do que ele sabia que não é a vontade e sim a vocação que nos define e que é impossível colher uvas nos espinheiros ou figos nos cardos?
« Sua doutrina não exigia que vivêssemos para os outros como um objetivo definido e consciente. Não era essa a sua característica básica. Quando ele nos diz: “Perdoa os teus inimigos”, não está pensando no bem do inimigo mas no nosso próprio bem, porque o amor é mais belo do que o ódio. Mesmo quando disse ao jovem: “Vende tudo aquilo que possuis e distribui o dinheiro entre os pobres”, não era nos pobres que pensava mas na alma do jovem, naquela alma que a riqueza estava destruindo. Na sua visão da vida ele se iguala ao artista, pois ambos sabem que, pela inevitável lei do autodesenvolvimento, o poeta deve cantar, o escultor exprimir-se no bronze e o pintor fazer do mundo um espelho dos seus estados de alma, assim como o espinheiro deve florescer na primavera, o milho dourar na época da colheita e a lua, em suas peregrinações, passar de foice a escudo e de escudo a foice.
« Mas embora não tenha jamais dito aos homens “Vivam para os outros”, Cristo nos fez entender que não há a menor diferença entre a vida do outro e a nossa própria vida. Por esse meio, ele ampliou a personalidade do homem, dando-lhe as dimensões de um Titã. Desde a sua vinda, a história de cada indivíduo isolado é – ou pode vir a ser – a história do mundo. É claro que a cultura intensificou também a personalidade do homem. A arte deu mil novas facetas à nossa mente. Aqueles que possuem um temperamento artístico vão para o exílio com Dante e aprendem como o sal pode ser o pão dos outros e quão mais íngremes podem ser os degraus que eles são obrigados a subir, eles captam por um instante a serenidade e a calma de Goethe e no entanto conseguem entender até bem demais o que Baudelaire gritou para Deus:
“O Seigneur , donnez-moi la force et le courage De contempler mon corps et mon coeur sans dégoût”.
[Oh, Senhor, dai-me a força e a coragem para contemplar meu corpo e meu coração sem desgosto.] »
_____
De Profundis, de Oscar Wilde.

Fonte : Pesquisa | http://blogdo.yurivieira.com/2010/09/de-profundis-wilde-jesus/ 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mr. Ego e o Sr. Espírito




Mr. Ego é a erupção cutânea.

Sr. Espírito é racional.

Mr. Ego trabalha em sua auto-imagem.

Sr. Espírito trabalha em sua auto-consciência.

Mr. Ego sofre de miopia.

Sr. Espírito goza de uma vista de águia.

Mr. Ego é implacável.

Sr. Espírito é compassivo.

Mr. Ego nunca é o conteúdo.

Sr. Espírito está sempre contente.

Mr. Ego é ciumento.

Sr. Espírito não tem nenhuma razão ou inclinação para ser assim.

Mr. Ego é cego pelo fanatismo.

Sr. Espírito é guiado pela tolerância.

Mr. Ego tem desprezo.

Sr. Espírito tem estima.

Mr. Ego se embriaga com o orgulho

Sr. Espírito é sóbrio, com humildade.

Mr. Ego é obscurecido pela vaidade.

Sr. Espírito é enaltecido pela modéstia.

Mr. Ego é ignorante, mas cobre-se com orgulho.

Sr. Espírito sabe, mas admite que não sabe tudo.

Mr. Ego é estupido e bruto.

Sr. Espírito é gentil e suave.

Mr. Ego gosta de gabar-se.

Sr. Espírito gosta de dar elogios para os outros.

Mr. Ego rapidamente leva as coisas para o lado pessoal.

Sr. Espírito não tem inclinação para fazê-lo.

Mr. Ego tenta descobrir como explorar outras pessoas.

Sr. Espírito gosta de trabalhar para o benefício de outras pessoas.

Mr. Ego gosta de provocar um tumulto.

Sr. Espírito gosta de restaurar a harmonia.

Mr. Ego gosta de se vingar.

Sr. Espírito prefere virar a outra face.

Mr. Ego favorece a competição sobre a cooperação.

Sr. Espírito favorece cooperação sobre a competição.

Mr. Ego se sente pior quando outras pessoas se sentirem bem.

Sr. Espírito se sente pior quando outras pessoas se sintam mal.

Mr. Ego se sente melhor quando outras pessoas se sintam mal.

Sr. Espírito se sente melhor quando outras pessoas se sintam bem.

Mr. Ego acredita em controle fora-de-controle.

Sr. Espírito acredita na graça e livre-arbítrio.

Mr. Ego finge.

Sr. Espírito é sincero.

Mr. Ego realmente esconde seus verdadeiros sentimentos.

Sr. Espírito é fiel aos seus sentimentos reais.

Mr. Ego quer impressionar.

Sr. Espírito prefere se expressar.

Mr. Ego é narcisista.

Sr. Espírito ama a si mesmo, mas não à custa dos outros.

Mr. Ego gosta de depreciar as pessoas.

Sr. Espírito prefere apreciar as pessoas.

Mr. Ego acha que ele vai se exaltar por depreciar as outras pessoas.

Sr. Espírito se exalta apreciando outras pessoas.

Mr. Ego tende a ver os outros seres humanos como ameaças ou passivos.

Sr. Espírito respeita-os como irmãos e irmãs.

Mr. Ego fecha a cara para outras pessoas.

Sr. Espírito sorri para outras pessoas.

Mr. Ego detém sobre a rancores.

Sr. Espírito tem um coração perdoador.

Mr. Ego pensa em termos de conflito.

Sr. Espírito prefere paz muito obrigado.

Mr. Ego semeia a divisão.

Sr. Espírito procura um terreno comum.

Mr. Ego desconfia naturalmente de outros seres humanos.

Sr. Espírito graciosamente estende sua confiança para os seres humanos.

Mr. Ego quer fazer aos outros antes que eles façam a ele.

Sr. Espírito prefere fazer aos outros como ele gostaria que fizessem com ele.

Mr. Ego vê as mulheres como instrumentos para a gratificação sexual.

Sr. Espírito vê as mulheres como seres humanos.

Mr. Ego pergunta o que ele pode fazer por ele.

Sr. Espírito pergunta o que ele pode fazer para os outros.

Mr. Ego é ganancioso e gosta de manter tudo para si.

Sr. Espírito dá livremente e ações.

Mr. Ego nunca se arrepende e procura racionalizar sua consciência culpada.

Sr. Espírito sempre pede perdão.

Mr. Ego está cego pelo ódio.

Sr. Espírito é guiado pelo amor.

Mr. Ego é o sonambulismo, perdido em um transe.

Sr. Espírito é acordado e receptivo!

Mr. Ego é auto-ilusão.

Sr. Espírito é viver na verdade.

Mr. Ego te odeia com paixão.

Sr. Espírito te ama com todo seu coração.

Mr. Ego teme a verdade.

Sr. Espírito ama a verdade.

Mr. Ego mente para esconder a verdade.

Sr. Espírito fala e glorifica a verdade.

Mr. Ego diz que não precisa saber.

Sr. Espírito tem uma natureza curiosa.

Mr. Ego se recusa a querer entender as outras pessoas.

Sr. Espírito procura entender as pessoas, na verdade todas as pessoas, se possível.

Mr. Ego esconde sua tristeza ou a canaliza em raiva.

Sr. Espírito tenta aliviar sua dor com amor.

Mr. Ego finalmente está enraizado no medo e na insegurança.

Sr. Espírito está garantido no amor supremo.

Mr. Ego desce para a escuridão e da ignorância.

Sr. Espírito sobe em Luz e Consciência.



(...)



Observe que as características acima são representações arquetípicas de seres humanos. Eu não acredito que há pessoas que vivem puramente o Mr. Ego ou o Mr.Espírito. Nós todos temos nossos pontos fortes e fracos. Eu acho que o importante na vida é tentar usar sua consciência para aprender mais com o Sr. Espírito. Quem quer ser um Mr. Ego afinal?

Testemunho de Hildegarde De Bingen

HILDEGARDE DE BINGEN – 25-10-2010



Mensagem publicada em 29-10-10, pelo site AUTRES DIMENSIONS.





De meu Espírito a seu Espírito, de seu Espírito a meu Espírito, Irmãos e Irmãs em Espírito e na humanidade, eu sou Hildegarde.



Eu venho para vocês, em Espírito de Verdade, para falar do caminho de meu Espírito que será o caminho de seu Espírito.



Permitam-me voltar sobre minha experiência e minha vida na densidade Dimensional na qual vocês estão hoje.



Muito jovem, eu vivi a Luz do Espírito.

Eu escapei, como alguns de vocês o fazem hoje, a esta densidade.



Eu me reencontrei, muito jovem, aliás, nos mundos que me foram, frequentemente, impossíveis de descrever com as palavras.



Eu vivi, sozinha, o que ninguém podia me explicar, que nenhuma história humana ou nenhuma experiência humana havia consignado.



O que eu vivi naquela época não podia de forma alguma se explicar, nem mesmo ser reportado de outro modo que no interior do que, naquela época, pareceu-me o mais próprio a estar, no mínimo em adequação, no ideal do que eu tinha vivido.



Do exterior, o lugar onde eu fui, onde eu vivi, foi chamado de arrebatamento, êxtase, ausência, ou mesmo epilepsia, por alguns médicos, ou possessão.



O que eram essas palavras com relação ao que minha Consciência estava imersa?



É claro, a tradução foi esta soma de conhecimentos musicais, da natureza, dos mundos invisíveis, que eu passei toda minha vida a consignar.



Eu não estou aqui para falar disso, porque isso é acessível.



Eu vim, antes, testemunhar, por minha Presença, pela própria Vibração de minha Presença e, sobretudo, tentando colocar em forma com vocês, o processo, além das palavras, que eu vivi então.



Em um momento preciso de minha vida, em que mais nada parecia possível, eu decidi me abandonar, de algum modo morrer e, para isso, eu mergulhei em mim mesma, não num fluxo de pensamentos, nem numa qualquer tristeza, mas foi então um mergulho em mim mesma – eu não encontrei melhor expressão – como se eu diminuísse.



Eu acompanhei essa diminuição porque esperava que, no final dessa diminuição, eu desapareceria desse mundo.



Eu parecia concentrar minha Consciência sobre um ponto.

Eu queria me fundir nesse ponto para que esse ponto desaparecesse, ou seja, que eu tivesse mais existência para sair, mesmo, desse mundo.



Nesse processo de diminuição, não havia qualquer angústia, simplesmente a certeza de desaparecer, inteiramente, a certeza de não mais existir.



Esse ponto, eu havia primeiro imaginado atrás de meus olhos, mas o ponto permanecia sempre.



Então, ao final de um tempo que eu não posso determinar, eu decidi desaparecer por outro ponto, eis que aquele não queria desaparecer.



Então, eu decidi que seria no meio de meu peito que talvez eu pudesse desaparecer.



Eu observei, primeiro, que esse ponto pulsava e que minha Consciência pulsava segundo o modo pelo qual eu respirava; então, eu decidi também não mais respirar.



E, de um golpe, de um único, eu perdi a consciência desse ponto e desse corpo e mesmo desta respiração.



E aí, efetivamente, de um golpe, eu não existia mais.



No momento mesmo em que tive a impressão de que tudo desaparecia, eu me encontrei em outro lugar, num estado em que não havia mais a menor possibilidade de se agarrar ao que quer que fosse.



Não havia mais respiração, mais corpo e, no entanto, isso não era o nada porque, pouco a pouco, eu me fundi em algo que nenhuma palavra pode traduzir.



Minha Consciência se tornava o que eu queria.



É claro, o que me atraiu mais, num primeiro tempo, foram os sons que eu não podia localizar (eu não era mais esse corpo, eu não estava mais em parte alguma) e, focalizando-me nesse som, eu me tornei esse som.



O som se modula e depois eu me tornei esta modulação.

Esta modulação tornou-se uma cor, inexistente de onde eu vinha, e eu me tornei esta cor.



As formas que eu podia adivinhar e não ver, que eu podia também me tornar, frequentemente os triângulos.



Eu me apercebi então que eu podia me tornar, literalmente, tudo o que estava lá.



Muito rapidamente, então, eu me disse: «eu, que não queria mais existir, eis que eu existo no Todo».



Então, naquele momento, eu emiti o que chamaria de um pensamento, mas, antes, uma tensão que, para mim, na realidade que eu acabava de deixar, evocava a perfeição.



Eu me coloquei a evocar uma tensão para o sol e, depois, para o Cristo, ao mesmo tempo.

E aí ocorreu o que eu poderia chamar, em palavras humanas, uma detonação, uma explosão.



Eu me tornei então o sol e eu penetrei então algo que não era eu, eu tinha a convicção, mas que eu me tornei instantaneamente.



Quando eu digo que eu me tornei, não era mais eu, mas eu era Ele em sua carne, em sua memória, em seu Espírito.



Uma experiência, uma vivência que nenhuma palavra pode traduzir.



Então eu decidi que não era realmente tudo o que eu havia me tornado, mas o que eu queria, então, era desaparecer.



E, naquele momento, eu ouvi uma palavra ecoar em seu corpo.

Essa palavra eu posso traduzir pelo «Si» e, naquele momento, instantaneamente, eu me tornei o Todo, se é que eu posso expressar essa palavra tão simplesmente.



E aí, eu passo por sensações extremamente violentas, eu as chamaria assim, ainda hoje, de uma intensidade extrema de sons, de formas, de cores, de mundos, de Consciências diferentes nas quais, literalmente, eu estava.



Naquela época, não havia ainda, em minha cabeça, a possibilidade, voltando, de encontrar o que quer que corresponda à vivência que eu acabo de expressar.



É claro, hoje, lá onde eu estou, esta experiência é conhecida, foi vivida e descrita, bem melhor do que por mim.



Naquela época, eu não procurava descrever o que era indescritível, sob pena de ser queimada, então eu decidi, em minha vida, me impregnar desta experiência que eu tinha a possibilidade de dirigir, desta vez sem querer desaparecer e traduzir isso do modo como eu tudo transcrevi.



Este estado foi descrito e a expressão a mais adequada que eu posso encontrar seria a dissolução do ego, a realização do Si e, ao mesmo tempo, a dissolução final.



Eu lhes falo disso quando de minha primeira vinda, assim, coletiva, entre vocês, para lhes dizer que toda vida criada, toda vida existente, toda Consciência existente não pode se perder ou desaparecer.



Ela pode se transformar.

Ela pode ir (chame assim, se querem) do infinitamente pequeno ao grande Todo.



É exatamente isso que se prepara.



Cada um de vocês se tornará o que criou, em sua própria Consciência.



Lembrem-se do início de minha história: eu coloquei o ponto onde eu queria me fundir e desaparecer, primeiro, muito logicamente, na cabeça.



O único lugar onde eu pude viver realmente o que eu havia projetado foi o centro de meu Coração, lá onde isso respirava, lá onde isso batia.



Eu sei que hoje vocês sabem todos, mesmo sem realizá-lo verdadeiramente, que o essencial atua ali: esse ponto central de seu Coração.



Eu lhes falei também de concentração.

A aniquilação total da consciência, nesse ponto, conduz ao Todo.



Então, um determinado Arcanjo, como Uriel, falou-lhes de reversão.

Um Melquisedeque falou de switch.



Eu, eu lhes digo que o abandono à Luz e a tensão ou concentração nesse ponto conduz ao infinito e que extrair-se do mundo que eu queria me extrair (tendo compreendido naquele momento que era uma ilusão, aí também), permitiu-me, contudo, viver, nesse ponto, esta alquimia.



A passagem do infinitamente pequeno, o fato de não ser mais nada nesse mundo conduz ao ser tudo em outro lugar.



Eu compreendi também (porque havia estudado e compreendido a vida do Cristo) o que já exprimi (e que exprimiram na sequência, é claro, inúmeras Consciências que se liberaram): de fato, vocês não podem se liberar estando apegados ao que quer que seja e, sobretudo, vocês não podem se liberar enquanto estão apegados a vocês mesmos.



Não é a negação da vida, mas é a própria compreensão e a própria vivência do que eu chamei, seguindo a Cristo, o Renascimento ou a Ressurreição, porque é exatamente a mesma coisa.



Vocês devem desaparecer inteiramente, no espaço de um instante, desta realidade, para se levar ao outro lado.



Vocês são grandemente ajudados, hoje, por tudo o que esse sistema solar e nós mesmos lhes enviamos.



Mas são apenas vocês que podem se fazer muito pequenos para não mais existir em nenhum lugar, a não ser nesse ponto e passar, então, para o Tudo.



Este abandono é verdadeiramente um abandono de tudo.

É preciso, como lhes disse o Arcanjo Anael, se dar.



É um mecanismo preciso da Consciência.

Não é uma visão do Espírito.

É, eu diria, uma tensão, mas uma tensão que não é da ordem da vontade, mas uma tensão do Espírito para ele mesmo.



O que está acontecendo nesse sistema solar para todas as consciências é exatamente a mesma coisa.

A reversão, a minha, que eu lhes expressei, será também a sua.



A experiência que eu acabo de lhes contar não é simplesmente a história de uma experiência, mas, bem mais, uma tela de que será preciso rememorar a existência, no momento vindo, ou no momento em que vocês decidirem dar esse último passo.



A grande diferença é que, hoje, vocês fazem isso estando informados de várias maneiras de outras realidades, de outros mundos, de outras Dimensões, mas a passagem é estritamente a mesma.



Tornar-se, como o disse minha Irmã Santa Teresa, em sua vida, a menor entre todos.



Apenas fundindo-se nessa pequenez, nesta insignificância, como ela o disse, que vocês percebem o tudo.



O intelecto é exatamente o inverso enquanto ele não está aberto a esta Verdade do Coração.



Em contrapartida, eu demonstrei, voltando de minha experiência, que o acesso ao verdadeiro conhecimento, naquele momento, era instantâneo e direto no Coração.

Não era o conhecimento intelectual, nem um conhecimento que vocês chamariam hoje de esotérico ou iniciático, mas efetivamente um conhecimento direto e instantâneo situando-se no Coração, o lugar por onde eu passei.



Porque, uma vez que a passagem é realizada, tudo é possível, absolutamente tudo.



Naquele momento, vocês se tornam criadores de sua realidade, aqui como em outros lugares, porque vocês não estão limitados ao aqui.



Sua consciência investiu inteiramente neste aqui.

Assim, portanto, vocês são limitados, e vocês ainda creem, a esse corpo, a essas funções, a esta personalidade, mas, agora e já, sua Consciência é, desde sempre, multidimensional.



Nós havíamos todos, simplesmente, coletivamente, esquecido.

Fizeram-nos esquecer.



Assim, sua Consciência existe nesse corpo, nesta vida, mas ela existe, de maneira simultânea, em todos os corpos e em todas as vidas que vocês tiveram nesta matriz, não num passado, não num futuro, mas agora, do mesmo modo que vocês existem em seu corpo de Luz ou seu corpo imortal, corpo de Existência, de toda a Eternidade.



É isso que se avança, agora, para vocês.



Nesta Ilusão, vocês estão presentes por toda parte, efetivamente, ao mesmo tempo.

É isso o que vocês irão revelar.



Não é uma criação, mas, verdadeiramente, uma revelação.



É por isso que vocês só podem aceder à Consciência, chamada de pura e liberada, aceitando se extraírem, inteiramente, do que vocês creem ser.



Extrair-se não é se suprimir ou morrer, é totalmente o inverso.



Há realmente, pela Luz Vibral que desce agora em fluxos contínuos sobre esta Terra, que se desidentificarem de um papel, de uma função, para se identificarem à Verdade que não é absolutamente o que os sentidos comuns lhes sugerem.



Aliás, o silêncio dos sentidos, o silêncio das atividades exteriores é o caminho para conduzi-los para seu Ser Interior.



Aí está, Irmãos e Irmãs em Espírito e na Humanidade, o que queria compartilhar, com vocês, pela Vibração de minha Presença.



Se existe, em vocês, especificamente com relação a esse processo de Consciência, não o meu, mas também o de vocês, questionamentos, então, eu responderei.



Questão: poderia voltar a desenvolver sobre a multidimensionalidade?

Irmão em Espírito, isso é extremamente difícil porque, como eu o disse, as palavras são bem frágeis, extremamente limitadas pelo próprio cérebro, porque o cérebro não terá jamais acesso à multidimensionalidade.



O que tem acesso à multidimensionalidade é, justamente, a Consciência desembaraçada desse cérebro.



A melhor descrição é aquela que eu lhes dei, não há outras: vocês se tornam ao mesmo tempo a forma, o som, a cor, vocês se tornam todas as formas, todas as cores, todos os sons, todas as músicas, vocês se tornam a estrela, o átomo, a flor, vocês se tornam a própria Luz, o próprio Cristo.



Em resumo, vocês se tornam o que sua Consciência é.

E sua Consciência é exatamente o que ela decide.



É impossível, pelas palavras, fazê-los mesmo vislumbrar o que isso pode ser.



Alguns Arcanjos e alguns Melquisedeques ou algumas Irmãs têm a capacidade de fazê-los se aproximar, nesse corpo, deste estado, chamado de estado de Presença ou realização do Si.



É um primeiro esboço – e eu digo sim esboço – do que é a multidimensionalidade.



A melhor forma de ali chegar é, como eu disse, se desidentificar, quer dizer, tornar-se pequeno, cada vez menor, até não mais querer ser o que quer que seja, ao mesmo tempo estando totalmente na vida.

É o único modo de ali chegar.



Descrever, o que é impossível com as palavras, os estados Vibratórios da própria Consciência, não seria de qualquer ajuda, porque as palavras são bem frágeis.



Se você espera colocar isso em equações, mesmo se alguns de seus cientistas ali cheguem hoje, a equação não é a vivência, a compreensão ainda menos, a descrição ainda menos, porque apenas a Consciência pode vivê-lo e certamente não o intelecto.



Questão: você pode desenvolver o que é a Repulsão no âmbito das Estrelas de Maria?

É exatamente o que eu expressei através de minha experiência.



Esta repulsão é o que me permitiu, na experiência inicial de aniquilação de minha consciência e de minha presença nesse mundo, viver o que eu vivi.



A Repulsão a que se refere não é nem o Mal, nem o fato de estar em repulsão com relação a um elemento ou um acontecimento.

É uma transcendência da Repulsão, que eu chamei, esta tensão para a aniquilação, esta tensão do Espírito, este abandono à Luz: a doação de si.



Minha Irmã Teresa teria chamado a isso a própria negação, em Consciência, chamada a humildade extrema, sem ir, como o viveram alguns, até a flagelação ou outros (as sevícias corporais a nada servem, estritamente a nada).



É somente uma atitude da Consciência que conduz a isso.

É isso a Repulsão.



De outro lado, a Repulsão, eu poderia chamá-la de atração final, aquela em que tudo se resolve, ou seja, o retorno final à Fonte.



Voltar Si mesmo, voltar a ser a totalidade da Fonte por uma forma – e ainda a palavra é frágil – de mimetismo ou de sobreposição, seria talvez a palavra exata.



Ainda uma vez, essa palavra não pode ser compreendida com seu cérebro, em termos dinâmicos, somente pela oposição ao Bem ou à Atração.

Ainda uma vez, as palavras são bem frágeis.



Olhem, por exemplo, o que foi chamada a Estrela Visão.

Quando vocês falam de Visão vocês têm tendência a falar da visão ocular ou de uma visão Interior, mas Visão é bem mais do que isso.



Não é unicamente a visão tal como a entende o cérebro e os sentidos.



Aí está o que eu posso dizer de Repulsão.



Em resumo, em minha vida, eu tive êxito em sair, literalmente, do confinamento no triângulo a que vocês chamaram Luciferiano, para transcender minha própria condição.



O que eu vivi, de maneira única, vai se viver hoje.



Quando os místicos orientais disseram que tudo estava no Interior, é a estrita Verdade.



Há mesmo, nesse corpo, no próprio Interior do que vocês são, a totalidade dos mundos.



Eu não sei quem disse que, se o conjunto da matéria dos universos e das Dimensões se concentrasse em um único ponto, este não seria maior do que a cabeça de uma agulha.

Eu penetrei a cabeça da agulha.



Questão: por que se tem um cérebro que incomoda para atingir a multidimensionalidade?

Irmã em Espírito, não é o cérebro que incomoda, é a própria arquitetura do cérebro.



Sem entrar nos detalhes, vocês estão num corpo de baixa Vibração ou de baixa densidade, de densidade muito pesada onde, antes mesmo da falsificação, a opacidade e a compacidade eram a regra, sem, contudo, bloquear o acesso ao outro lado.



Não há, portanto, que julgar seu cérebro como responsável, mas, sim, a própria consciência, que foi confinada.



O cérebro é apenas a concretização deste confinamento, não em sua totalidade, mas em alguns aspectos.



Não há, portanto, criação de cérebro que limitaria o que quer que seja.

O cérebro é criado para um objetivo e para uma Dimensão.

A Consciência existe em todas as Dimensões.



Questão: para viver o que você viveu, é preciso consagrar um máximo de tempo?

Eu jamais pronunciei essas palavras, uma vez que esta experiência chegou de modo inicial, como para muitos seres que viveram isso.



Querer ali emprestar um tempo, querer ali emprestar algo de longo, é um erro.



Todos aqueles, sem exceção, Irmãos e Irmãs em Espírito presentes sobre esta humanidade, que o realizaram, em diversos períodos, realizaram-no instantaneamente.

Instantaneamente.



Não é, portanto, um caminho, é um mecanismo da Consciência.



Enquanto vocês permanecem na Ilusão de crer que é um caminho, vocês não viverão esta Consciência.



É o mental que crê e que criou isso.



Sem exceção, quaisquer que sejam as tradições, os povos, as culturas, sem qualquer exceção, aqueles que viveram isso, viveram-no instantaneamente.



É justamente o momento em que a Consciência aceita que não há nada a buscar no exterior que isso se produz.

É exatamente o inverso da proposição formulada.



Questão: como se pode viver esse processo na sociedade de hoje?

Mas eu responderia, como lhes disse o Arcanjo Uriel, o que você quer se tornar?

E, sobretudo, o que você quer ser?



Não é questão de reconduzir este estado para ostentá-lo nesse mundo.

Não é algo que se adquira.

Não é algo que possa se conformar, justamente, a esse mundo.

É uma escolha.



A escolha, quando vai para esta Consciência, como o mostraram todos aqueles que o viveram antes de vocês, fez com que eles tenham, no entanto, persistido, para alguns, muito tempo, nesta ilusão.



Cada um a seu modo tentou transmitir os ensinamentos, os fragmentos.



É o mental que pensa assim, como sempre.

O mental é crença.

A Consciência é experiência.



O mental não poderá jamais resolver o problema da experiência, porque ele não é a experiência, ele é crença.



A Consciência é Liberdade, o mental é confinamento.



Não há outras possibilidades de saída, nenhuma.



E, no plano coletivo, o conjunto de Irmãos e Irmãs em Espírito terá que realizar essa escolha.

Que vocês a tenham realizado agora ou no último instante, é, em definitivo, sempre a mesma escolha: o confinamento ou a Liberdade.



Mas a Liberdade não se pode viver permanecendo confinados.

É preciso, primeiro, viver a Liberdade.



Nós lhes demos, uns e outros, muito numerosos elementos, pelas palavras, pelas Vibrações, por muitos exercícios, mas, definitivamente, nós sempre dissemos que apenas você é quem pode dar esse passo.



Não há qualquer obstáculo que exista, da ordem mental, dizendo que não é compatível com isso, não é compatível com minha vida.



Então, naquele momento, muda a vida.



Enquanto o mental é derivado e preso aos medos – medo da falta, medo de não mais estar inserido nesta realidade – isso apenas faz traduzir o medo da transformação.



Este medo de que lhes falou Sri Aurobindo, como uma secreção do mental.



O choque e os choques que estão para viver e que vocês viverão, poderão apenas aumentar a secreção do medo ou então conduzi-los a este último abandono, que eu chamei esta tensão.



Em resumo, a Unidade, a multidimensionalidade é proposta a todo o mundo, sem exceção.



Mas, para aceitar e aceder à multidimensionalidade, é preciso fazer o luto, a renúncia a esta Dimensão, mesmo o mental, sabendo que é uma experiência, em definitivo, quando vocês voltam, antes do fim, o mental existe sempre, mas você o superou.



Enquanto a questão se coloca é que o mental não quer soltar e que o medo está subjacente.

É o mesmo princípio que pode existir no que vocês chamam, eu creio, hoje, de esportes extremos, onde é preciso vencer o medo.



Mas o medo não se vencerá jamais pelo mental.

Ele apenas pode se vencer através do que eu acabo de expressar.



Se você analisa, com o mental, o que acontece hoje, a própria questão que você acaba de colocar é a ilustração perfeita e total do mental que recusa deixar soltar, porque ele não pode conceber e aceitar que a Consciência exista independentemente do mental.



Questão: parece-me difícil de ali chegar como você chegou.

Tudo isso representa, aí também, apenas o mental, e exclusivamente o mental.



Da visão que eu tenho, de onde estou, isso se tornaria, em outros termos – e não veja aí qualquer ofensa – patético e dramático.



O que é patético e dramático é o mental e não você, Irmã em Espírito.



Questão: é então tão simples como soprar uma vela para apagá-la?

A imagem é perfeitamente encontrada.

É preciso que a tensão da Consciência, traduzida por soltar, abandono à Luz, seja total.

O mental fará sempre tudo para impedi-los.

É o papel dele.



Não temos mais perguntas. Agradecemos.



Irmãos e Irmãs em Espírito e na humanidade, queiram aceitar minha bênção.

Eu lhes digo até mais tarde.



_________________________

Compartilhamos essas informações em toda transparência. Agradecemos de fazer o mesmo, se a divulgarem, reproduzindo integralmente o texto e citando a fonte: www.autresdimensions.com.

O sistema, a verdade e a mentira




O sistema nunca vai admitir a verdade que está bem na nossa cara.

Porque está simplesmente muito, mas muito mesmo, comprometido com a mentira.


Autor : Anônimo

terça-feira, 17 de abril de 2012

Ricos e Pobres




A falsificação da realidade, trabalho feito com sucesso pela mídia privada, desde sempre, é cada vez mais descarada. A prática política se utiliza dessa mesma estratégia, criando títulos bonitos para ações horrorosas. Um desrespeito à inteligência, um cinismo criminoso.
O prefeito recém empossado que teve sua campanha eleitoral patrocinada, em grande parte, por empresas imobiliárias, anuncia a remoção de “comunidades pobres”, segundo ele, para livrá-las dos riscos de desabamentos. A lista, provavelmente feita pelas empresas como condição de patrocínio à campanha, inclui as áreas valorizadas pelo mercado imobiliário cobiçada pelos olhos grandes dos empresários.

Uma barreira visual é construída ao longo da Linha Vermelha para esconder o complexo de favelas da Maré dos olhos dos gringos e visitantes que vão do aeroporto internacional para o centro e zona sul da cidade. O motivo alegado é proteger as frágeis orelhinhas dos moradores do ruído produzido pela via expressa. A ironia é automática, a raiva, inevitável. Até as palavras são torcidas, deformadas, torturadas.

Como diz Gizele Martins, moradora da Maré, chamar favela de comunidade pobre é o mesmo que chamar um negro de moreninho.

Favela é comunidade roubada. Em direitos, em cidadania, em humanidade.

Morador de rua não existe, o que existe são desabrigados.

Flexibilização é destruição de direitos trabalhistas, é violação de leis.

Revitalização é expulsão de pobres que se abrigaram em prédios abandonados - devolvendo-os à situação de desabrigados - para ceder os espaços valorizados pela especulação imobiliária a meia dúzia de empresários ricos.

Segurança pública é repressão e contenção do público.

Emprego, em geral, é exploração até o talo, é destruição de qualquer qualidade de vida.

Transporte público é tortura e aviltamento.

Pessoas que se manifestam para conseguir respeito aos seus direitos constitucionais, permanentemente negados por um Estado que não cumpre sua própria constituição, são classificadas de baderneiras. As ordeiras são as que se conformam, se calam e sofrem sem reclamar, numa depressão silenciosa. “Morram quietos, pobres, mesmo vivos”, é o que nos diz o sistema social dominado pelos ricos mega-empresários, os que têm os políticos no bolso.

O Estado tem sido um robinhude ao contrário, rouba dos pobres pra dar aos ricos.

Democracia é um cenário fajuto, cada vez mais esfarrapado – democracia é um povo alimentado, instruído, informado e consciente, tomando decisões a seu próprio respeito. Senão, é a “cracia do demo” e nada mais. Nunca tivemos democracia, só fachada e ilusão.

Os pobres constróem, mantêm, fazem funcionar e ainda sustentam, via impostos, toda a sociedade. E são desprezados, sabotados, enganados, roubados, explorados, controlados, reprimidos e violentados, cotidianamente. O sentimento de inferioridade e impotência plantado há gerações, pela ideologia midiática e sua máquina de fazer opinião e distorcer a realidade, não deixam perceber a força enorme que a maioria possui. Afinal, quem planta o que se come? Quem carrega as caixas, faz o transporte e prepara a comida? Quem abre as portas, prepara os ambientes, faz a limpeza, tira o lixo? Quem cuida das crianças, dos carros, das casas, dos animais? Quem conserta vazamentos, fiações, quem instala os canos, levanta as paredes? Quem está na linha de montagem do que quer que seja que se fabrique? Quem corta os tecidos e costura as roupas? Quem desce aos subsolos dos gases, fiações e tubos, desentope os entupimentos, conserta os vazamentos? Quem instala as torres de transmissão, seja de comunicações, seja de transmissão de energia? Quem se pendura nas alturas pra todo tipo de risco? Quem viabiliza a existência da sociedade são os pobres.

O empresário rico diz que “dá empregos” quando, na verdade, tira sua riqueza, seus privilégios, seu luxo e ostentação da exploração dos seus empregados, pagando o mínimo possível e violando direitos trabalhistas. Um rico é uma ilha de arrogância cercada de pobres por todos os lados. Um pobre é a base inconsciente de toda a estrutura. Um pobre pode viver sem ricos. Um rico não pode viver sem pobres.

Muito fácil perceber que sem os ricos a sociedade seria menos injusta e perversa. Mas sem os pobres, ela seria simplesmente impossível.

Alguns dizem ser restrita e preconceituosa a visão da sociedade dividida entre ricos e pobres. É certo, há muitos patamares, tanto na pobreza, quanto na riqueza, inclusive com a importante classe média dividida em degraus – costumo me referir às classes médias, que vão do gerente de loja, do sargento ou do mestre de obras ao diretor de grande empresa, ao general ou ao engenheiro-chefe. Mas é impossível não considerar o contraste brutal entre a parte de baixo e a parte de cima. Embaixo, carências, desrespeitos, dificuldades de sobrevivência assolam mais da metade das pessoas. Em cima, luxos, desperdícios, ostentações e usufrutos que ofendem a sensibilidade de quem a tem. Quem está na parte de baixo, como eu, vê a parte de cima como um bloco homogêneo, arrogante e privilegiado, digno do respeito e consideração pelo poder público, muito ao contrário de nós. As diferenças internas de classe, dessa forma, são irrelevantes. Ricos são os que têm mais do que precisam pra viver, pobres são os que têm menos. Simplifico porque no fim das complexidades, a coisa é bem simples. Não há uma fronteira clara entre as classes, mas os extremos contrastam dolorosamente. É aí que a sociedade se apresenta dividida entre ricos e pobres, apesar dos intermediários que podem chegar a 30% da população, variando a quantidade e a qualidade dos privilégios, mas tendo em comum os direitos respeitados, pelo menos os básicos. Só a informação foge a esta regra, pois é distorcida sem preconceito, para todos.

Afinal de contas, pior que a pobreza de grana é a pobreza de espírito. E essa não depende da classe social, embora prevaleça entre os mais ricos. Para usufruir de privilégios sem incômodos de consciência, é preciso empobrecer a alma, acreditar em mentiras crassas e criar indiferença ao sofrimento cotidiano de milhões.

Para haver respeito aos direitos fundamentais desses milhões, é preciso exterminar esses privilégios materiais, instrucionais e informacionais, privilégios grosseiros e desumanos, apresentados com orgulho, quando na verdade são uma vergonha.



domingo, 15 de abril de 2012

O MURO, a Parede, o Paredão...




O Ministério da Saúde Psicológica ADVERTE :
-Qualquer semelhança com sua infância e sua Existência não é mera coincidência!

Apenas outro Tijolo na Parede





Quando crescemos e fomos à escola
Havia certos professores que
Machucariam as crianças da forma que eles pudessem
Despejando escárnio

Sobre tudo o que fazíamos
E expondo todas as nossas fraquezas
Mesmo que escondidas pelas crianças
Mas na cidade era bem sabido

Que quando eles chegavam em casa
Suas esposas, gordas psicopatas, infernizavam a vida deles
Não precisamos de nenhuma educação
Não precisamos de controle mental

Chega de humor negro na sala de aula
Professores, deixem as crianças em paz
Ei! Professores! Deixem essas crianças em paz!
Tudo era apenas um tijolo no muro

Todos são somente tijolos na parede
Não precisamos de nenhuma educação
Não precisamos de controle mental
Chega de humor negro na sala de aula

Professores, deixem as crianças em paz
Ei! Professores! Deixem essas crianças em paz!
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

"Errado, faça de novo!"
"Se você não comer sua carne, você não ganha pudim."
" Como você pode ganhar pudim se não comer sua carne?"
"Você! Sim, você atrás das bicicletas, parada aí, garota!"

Eu não preciso de braços ao meu redor
E eu não preciso de drogas para me acalmar
Eu vi os escritos no muro
Não pense que preciso de algo, absolutamenteNão!

Não pense que eu preciso de alguma coisa
Afinal tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

sábado, 14 de abril de 2012

Respeitabilidade




A respeitabilidade é uma maldição; é um “mal” que corrói a mente e o coração. Infiltra-se sorrateiramente na pessoa e destrói o amor. Ser respeitável é se sentir bem-sucedido, criar para si mesmo uma posição no mundo, construir em torno de si um muro de segurança, da autoconfiança que vem junto com o dinheiro, o poder, o sucesso, a capacidade ou a virtude. Esse exclusivismo da autoconfiança resulta em ódio e antagonismo nos relacionamentos humanos, que são a sociedade. Os respeitáveis são sempre a nata da sociedade, e, portanto, eles são sempre a causa de discórdias e miséria. Os respeitáveis, como os desprezados, estão sempre à mercê das circunstâncias; as influências do ambiente e o peso da tradição são extremamente importantes para eles, pois isso esconde sua pobreza interior. Os respeitáveis estão na defensiva, assustados e desconfiados. O medo está em seus corações, portanto a raiva é sua justiça. Suas virtudes e devoções são sua defesa. Eles são como o tambor, vazio por dentro mas barulhento quando golpeado. Os respeitáveis jamais podem estar abertos à realidade, pois, como os desprezados, eles estão presos na preocupação com seu próprio aprimoramento. A felicidade é negada a eles, que evitam a verdade.



Não ser ganancioso e não ser generoso estão intimamente ligados. Ambos são um processo de autolimitação, uma forma negativa de autocentrismo. Para ser ganancioso, você precisa ser ativo, extrovertido; você deve lutar, competir, ser agressivo. Se você não tem essa iniciativa, não está livre da ganância, mas apenas fechado em si mesmo. A extroversão é um transtorno, uma luta dolorosa, portanto o autocentrismo é encoberto pela expressão não-ganancioso. Ser generoso com a mão é uma coisa, mas ser generoso com o coração é outra. A generosidade da mão é uma questão razoavelmente simples, dependendo do padrão cultural e assim por diante; mas a generosidade do coração é de importância muito mais profunda, exigindo percepção e entendimento prolongados.



Não ser generoso é também uma agradável e cega preocupação consigo mesmo, na qual não existe atividade exteriorizada. Esse estado de autopreocupação tem suas próprias atividades, como as de um sonhador, mas elas jamais lhe despertam. O processo de acordar é doloroso, e, portanto, jovem ou velho, você prefere ser deixado em paz para tornar-se respeitável, para morrer.



Assim como a generosidade do coração, a generosidade da mão é um movimento externo - geralmente doloroso, enganador e auto-revelador. A generosidade da mão é fácil de aparecer; mas a generosidade do coração não é uma coisa a ser cultivada, é a libertação de toda a acumulação. Para perdoar, precisa ter havido uma ofensa; e para ser ofendido, precisa ter havido os acúmulos do orgulho. Não existirá generosidade de coração enquanto houver uma memória referencial, do “eu” e o “meu”.



Krishnamurti

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O casamento verdadeiro



Pergunta a Osho:
Sei que você é contra o casamento, mas eu ainda quero me casar. Posso ter suas bênçãos?

Medite sobre a lei de Murphy: "Um tolo e sua calma logo ficam separados".



Medite sobre isso: um tolo e sua calma logo ficam separados. É o que o casamento vai ser. Só os tolos pensam em termos de legalidade; do contrário, amor é suficiente. E não sou contra o casamento – sou pelo amor. Se o amor se tornar seu casamento, ótimo; mas não espere que o casamento possa trazer amor. Isso não é possível. Amor pode tornar-se um casamento. Você precisa trabalhar bem conscientemente para transformar seu amor num casamento.



Geralmente, as pessoas destroem o amor delas. Fazem tudo para destruí-lo e então sofrem. E continuam dizendo, “Que deu errado?” Eles destroem – fazem tudo para destruí-lo. Existe um tremendo desejo e anseio por amor, mas amor necessita de grande consciência. Só assim é possível atingir seu mais elevado clímax – e o mais elevado clímax é o casamento. Isso não tem nada a ver com lei. É uma fusão de dois corações numa totalidade. É o funcionamento de duas pessoas em sincronia – isso é casamento.



Mas as pessoas tentam amar e devido a que elas estão inconscientes...o anseio delas é bom, mas o amor delas está repleto de ciúmes, cheio de possessividade, cheio de raiva, cheio de maldade. Logo elas o destroem. Consequentemente, por séculos elas dependeram do casamento. Melhor começar pelo casamento para que a lei possa lhe proteger de destruí-lo. A sociedade, o governo, a corte, o policial, o padre, todos eles irão lhe forçar a viver na instituição do casamento e você será apenas um escravo. Se o casamento for uma instituição, você vai ser um escravo nela. Só os escravos querem viver em instituições. O casamento é um fenômeno totalmente diferente: é um clímax do amor. Assim ele é bom.



Não sou contra o casamento – sou pelo casamento verdadeiro. Sou contra o falso, o pseudo, que existe. Mas isso é um arranjo. Ele lhe dá uma certa segurança, confiança, ocupação. Mantém você engajado. Do contrario, ele não lhe dá nenhum enriquecimento, nenhuma nutrição. Então, se você quiser casar de acordo comigo, só então posso lhe dá minhas bênçãos. Aprenda a amar, e deixe tudo que vai contra o amor. É uma tarefa árdua. É a maior arte da existência, ser capaz de amar. A gente precisa de um tal refinamento, uma tal cultura íntima, tal meditação, para que a gente possa ver imediatamente como a gente vai destruindo.



Se você puder evitar ser destrutivo, se você se tornar criativo no seu relacionamento; se você o suporta, o alimenta; se você for capaz de compaixão pela outra pessoa, não só paixão... paixão somente não é capaz de sustentar o amor; compaixão é necessária. Se você for capaz de ser compassivo com o outro; se você for capaz de aceitar suas limitações, suas imperfeições; se você for capaz de aceitá-lo do jeito que ele ou ela for e ainda assim amar – então um dia o casamento acontece. Isso pode levar anos. Pode levar sua vida toda.



Você pode ter minhas bênçãos, mas para um casamento legal você não precisa de minhas bênçãos – e minhas bênçãos também não servirão de ajuda. E cuidado! Antes de você mergulhar nisso, pense nisso mais uma vez.



Uma mulher entra numa loja de brinquedos e vê um pássaro com um grande bico, “O que é esse pássaro que parece tão estranho?” ela pergunta ao proprietário. “Esse é o pássaro glutão”, ele responde. “Porque você o chama de pássaro glutão?” O homem fala para o pássaro, “Pássaro glutão, minha cadeira!” O pássaro imediatamente sai bicando e devora a cadeira toda. “Eu quero comprá-lo”, diz a mulher. O dono pergunta o motivo. “Bem”, ela diz, “Quando meu marido chegar em casa ele irá ver o pássaro e perguntar, 'Que é isso?', eu direi, ‘Um pássaro glutão’. Então ele dirá, ‘Pássaro glutão, meu pé!’"



Apenas seja um pouco consciente antes de mover-se! Minhas bênçãos não ajudarão. Casamento é uma armadilha e sua esposa mais cedo ou mais tarde irá encontrar um pássaro glutão.



A senhora Moskowitz gostava de sopa de galinha. Uma noite ela estava tomando a sopa quando três amigos do marido dela chegaram. “Senhora Moskowitz”, o porta-voz disse, “estamos aqui para lhe dizer que seu marido, Izzy, foi morto num acidente de carro”. A senhora Moskowitz continuou tomando sua sopa. Novamente eles contaram a ela. Ainda nenhuma reação. “Olhe”, disse o homem, perplexo, “Estamos lhe dizendo que seu marido está morto!” Ela continuou com a sopa. “Cavalheiros”, ela disse com a boca cheia de sopa, “logo que eu acabe com essa sopa de galinha, vocês irão ouvir algum grito!”



Casamento não é amor; é alguma outra coisa.



Uma mulher estava lamentando no túmulo do marido, “Oh, Joseph, já faz quatro anos que você se foi, mas eu ainda sinto sua falta!”. Nesse momento Grossberg passava e viu a mulher chorando. “Desculpe”, ele disse, “por quem você está lamentando?”. “Meu marido”, ela disse. “Sinto tanta falta dele!”. Grossberg olhou na lápide e então disse, “Seu marido? Mas está escrito na lápide ‘Consagrado à memória de Golda Kreps’”, “Oh, sim, ele colocou tudo em meu nome”. 



Assim, fique atento antes de ser apanhado na armadilha! Casamento é uma armadilha: você será apanhado pela mulher e a mulher será apanhada por você. É uma armadilha mútua. E então legalmente vocês estão autorizados a torturar um ao outro para sempre. E particularmente nesse país, não só por uma vida, mas por várias! O divórcio não é permitido nem após sua morte. Na próxima vida você terá a mesma esposa, lembre-se!



Osho, em "Ah This!"

Fonte: Osho.com


Divagações num vagão do Metrô




16h12m de um dia nublado de outono. Bate o vazio e com ele uma vontade de fazer sem o saber o que. É uma ânsia pelo desconhecido, uma vez que, o que me é conhecido, causa-me fastio. É uma sensação de falta, de incompletude. É uma forte vontade de liberdade de mim mesmo.


 

Peguei um dos novos trens do Metrô. A temperatura do ar condicionado gela as orelhas e a cabeça raspada. Deixo a caneta solta sobre o pequeno bloco de apontamentos, feito com papel reciclado, a espera dos sentimentos a serem materializados em palavras.


Observo as pessoas desconhecidas, absortas em seus pensamentos. Tento imaginar como serão suas vidas, no que pensam e o que agora sentem. A quentura no peito, com aquela benfazeja sensação de Presença parece querer chegar de mansinho... Aviso falso.


Na porta esquerda, parado, um soldado da Polícia Militar; seu olhar se faz tenso, carregado, diante do meu observar. Nisso, um grupo de adolescentes, com suas vozes altas rompem o solitário silêncio do vagão. Seus assuntos são bem infantis. Duas delas, com sacos de pipocas doces, as engolem em bocados apressados, sem o tempo necessário para o saborear. Não devem ter mais que dezesseis anos e parecem disputar suas certezas. Duas também são as que já apresentam os cabelos descoloridos num loiro desigual. Todas fazem uso de muita gíria e soa bastante estranho vê-las se comunicando com frases iniciadas por “e aí mano”... “então cara”...


Agora faltam duas estações para chegar ao meu destino. Em meio ao meu solitário Vergueiro, desço no Paraíso, ansioso por um momento de Augusta Consolação.

Nelson Jonas

terça-feira, 10 de abril de 2012

A verdadeira inteligência




O medo é como ferrugem: ele destrói toda a inteligência.


...Uma educação de verdade ajudará cada um a encontrar a própria vida, aquela em que ele possa ser completamente vivo.



... Quando você copia os outros, há menos riscos. Quando você não copia ninguém, você está sozinho — há riscos! Mas a vida acontece somente para aqueles que vivem perigosamente, para aqueles que são aventureiros, corajosos, atrevidos — a vida acontece somente à eles. A vida não acontece para as pessoas mornas.



... Observe nas vinte e quatro horas do dia quantas coisas você faz sem ter nenhum prazer com elas e sem que elas o ajudem em seu crescimento interior. Na verdade, você quer se livrar delas. Se você estiver fazendo muitas coisas em sua vida e realmente deseja se livrar delas, está vivendo de maneira pouco inteligente... Se você estiver desperdiçando a sua vida, a responsabilidade não é de mais ninguém.



... O amor está disponível apenas para aqueles que aguçam sua inteligência. O amor não é para os medíocres, não é para os poucos inteligentes. O tolo pode se tornar um grande intelectual. Na verdade, os tolos tentam se tornar intelectuais; essa é a sua maneira de ocultar sua ausência de inteligência. O amor não é para o intelectual; o amor necessita de um tipo totalmente diferente de talento: um coração talentoso e não uma cabeça talentosa.




segunda-feira, 2 de abril de 2012

Para entender a alienação




Para entender a alienação, temos que descobrir aonde vai sua mais profunda raiz central — e entender que esta raiz nunca desaparecerá.



A alienação é inseparável da cultura, da civilização e da vida em sociedade.



Não é só uma característica de ‘culturas ruins’, de civilizações ‘corruptas’ ou da sociedade urbana.



Não é só um duvidoso privilégio de algumas pessoas na sociedade.



A alienação começa quando a cultura me divide contra mim mesmo, me põe uma máscara, me atribui um papel que posso querer desempenhar ou não.



A alienação é completa quando me identifico completamente com minha máscara, totalmente satisfeito com meu papel e convencido de que qualquer outra identidade ou papel é inconcebível.



O homem que transpira sob sua máscara, cujo papel lhe dá irritações desconfortáveis e que odeia essa sua divisão, já começou a ser livre.



Mas que Deus o ajude se ele apenas deseja a máscara de outro homem, só porque este não parece estar suando ou sentindo coceiras.



Talvez não ele seja mais suficientemente humano para sentir coceiras. (Ou então paga um psiquiatra que o coça.)

Thomas Merton (The Literary Essays of Thomas Merton)



domingo, 1 de abril de 2012

Difícil de entender






Tenho dificuldade em compreender certas situações e sua permanência.
Em Pinheirinho foi documentada a expulsão de mais de mil e seiscentas famílias, cerca de nove mil pessoas, idosos, crianças, deficientes, mulheres e homens – e a destruição de suas casas, muitas com os poucos pertences dentro, lançando essa multidão ao desabrigo. Crianças confiscadas de seus pais pelo conselho tutelar da cidade, por estarem desabrigados, não terem aceitado passagens pra fora da cidade e ocupado os abrigos improvisados pela prefeitura – que sofreram e sofrem uma pressão estúpida, com bombas de gás lançadas dentro desses abrigos durante a noite, explosões de efeito moral e assédio ininterrupto, sem banheiros suficientes, sem higiene e com a alimentação precária. O proprietário do terreno desocupado pela polícia, um mega-especulador já denunciado há anos, responsável pela quebra na bolsa do Rio de Janeiro, nunca pagou impostos devidos ao município, a área estava abandonada e se tornou um bairro – não uma favela – com ruas, postes e saneamento, pelo esforço da própria comunidade, há oito anos. Na omissão do Estado, o povo deu seu jeito. O usucapião urbano é de dois anos, a comunidade, repito, tinha oito. Mas o Estado e seu aparato de segurança foram usados pra defender a propriedade do especulador milionário – denunciado até pela veja, a revista mais reaça do país, na época da quebra da bolsa –, atacando a população, massacrando, espancando, matando cachorros e pessoas, em cenas de barbárie explícita. Algo mais claro?

Na Grécia, considerada o “berço da democracia”, nos meios acadêmicos, apesar de ser um sistema escravagista e de o voto ser restrito aos poucos “cidadãos de bens”, os homens ricos, vimos no mês passado a polícia de choque circundar o parlamento para protegê-lo da fúria da população, enquanto seus “representantes” votavam mudanças na legislação impostas pelos bancos internacionais, suprimindo direitos, cortando salários e empregos, aposentadorias e pensões – covardia cada vez mais comum –, privatizando coisas públicas e destruindo a economia do país, enquanto na cidade inteira a polícia tentava controlar focos de levantes populares, sem conseguir. Foi o caos durante dias, controlado com muito sangue, pancadaria, quebra-quebras e prisões, numa guerra generalizada onde o Estado ataca, contém e controla a população roubada, que se debate em protesto. Inutilmente. Algo mais claro?

No Rio, onde os empresários do ramo imobiliário estão esgotando as áreas da Barra e zona oeste litorânea e voltam os olhos para o centro da cidade. Abandonado há décadas e com milhares de prédios sem uso, deteriorando, o centro foi tendo vários desses prédios ocupados pela população desabrigada. Na ausência do Estado, que não cumpre sua “lei máxima”, a constituição, que garante moradia, alimentação, etc., o povo sem teto toma suas iniciativas e se apropria do que é seu direito, violado pela própria estrutura social. Com a cobiça dos grandes empresários, a prefeitura apareceu com um projeto de “revitalização”, denominação mentirosa que mal encobre o processo de expulsão dos mais pobres pra longe dali, de investimento de dinheiro público na reestruturação da infra-estrutura do centro, agora transformado em patrimônio histórico, preparando a área pra chegada dos empresários. É o que eles chamam, na encolha, de “limpeza”. Pra eles, os pobres são lixo e devem ser removidos. Comunidades inteiras têm sido removidas no interesse dos financiadores de campanhas de legisladores e governantes, tornando-os seus agentes, travestidos de representantes do povo. Algo mais claro?

Em São Paulo, favelas em locais valorizados são assediadas de todas as formas, legais e ilegais, físicas e psicológicas. Os incêndios nessas comunidades se tornaram comuns, a ponto de surgirem métodos de combate ao fogo pelos próprios moradores. Eles perceberam não poder contar com o poder público. Apesar dos chamados insistentes aos bombeiros, quando começa um desses incêndios, quem chega primeiro é a polícia, cercando a comunidade, enquanto empresários e seus políticos esfregam as mãos, repetindo o jargão dos fanáticos religiosos diante do que acreditam ser o demônio – “queeiima!” Num desses, que por acaso contou com a presença de algumas equipes de imprensa, foi mandado um caminhão dos bombeiros, pra não ficar tão mal na foto. A polícia teve que abrir passagem pra entrada do veículo. Era um caminhão velho, estava com meia carga de água e a mangueira tinha tantos furos que os moradores amarravam plásticos e camisas pra conter os vazamentos, sem sucesso. A água não chegava com a pressão necessária. A cena da mangueira jorrando água pra todos os lados, menos no fogo, era de revirar os intestinos. Algo mais claro?

O Estado está seqüestrado pelos poderes econômicos e em preparação constante para a guerra e o massacre contra suas próprias populações. Exemplos temos de sobra, falta assumir a realidade. A coisa pública está imersa na privada.

E nós, boiada conduzida, vemos o mundo restrito a dois “mercados” básicos, o de trabalho e o de consumo; vemos a vida como uma competição permanente e cada irmão como um adversário; sonhamos com consumos impossíveis para todos e aceitamos trabalhos que odiamos, transformando o prazer de trabalhar em sacrifício insuportável; assistimos os jornais da mídia privada mesmo depois de provas à exaustão da desonestidade dessa mídia, das distorções da realidade e da defesa histérica e irrestrita dos interesses empresariais, em prejuízo da maioria. Não nos revolucionamos por dentro, mas pretendemos revolucionar a sociedade, numa ingenuidade desanimadora. Os protestos e mobilizações são cada vez mais inúteis e ignorados pelas autoridades – ou atacados pelas forças de segurança, pondo em risco a integridade física e mesmo a vida dos que se manifestam. Em vez de conscientizar a população, a proposta é conduzir as massas, liderar, numa arrogância planejada e produzida nos laboratórios transnacionais de psicologia do inconsciente – na criação de valores falsos, desejos superficiais e comportamentos condicionados – e imposta pela mídia. As contestações não escapam ao condicionamento, por isso são inócuas, inofensivas ao sistema empresarista estabelecido sobre os poderes públicos. Se mudanças acontecem, no mais das vezes são mudanças cosméticas, na aparência, superficiais demais pra provocar mudanças profundas e reais na estrutura social.

Começo a achar que o movimento hippie era muito mais revolucionário que esses europeístas cheios de arrogância, condicionados de todas as formas, subalternos ideológicos ao pensamento europeu, incapazes de criar e de revolucionar o próprio comportamento, incapazes de olhar dentro de si mesmos e encontrar aí o trabalho a ser feito, em primeiro lugar. Os hippies começavam mudando seu comportamento, seus valores, sua vida. Por isso contaminavam daquela maneira avassaladora, conquistando a juventude em massa e obrigando o sistema ao trabalho intensivo de criminalização daquela onda, de perseguição implacável, de dispersão e extermínio que eu vi, ninguém me contou. Eles pregavam a vida com o mínimo necessário de material, a abolição da alimentação industrial, o uso da medicina não comercial, natural, na maior parte dos casos, o desenvolvimento das artes e das relações fraternas, o igualitarismo, a generosidade, a solidariedade irrestrita, o pacifismo e a resistência às imposições de valores e comportamentos. Mais que isso, eles praticavam e viviam essas coisas. Sua revolução partia da alma, de dentro, era preciso vivenciar os novos valores.

Não estou dizendo que eles revolucionariam a sociedade, que por ali seria possível. Apenas que era um movimento muito mais inteiro, muito mais contagiante, por ser impossível apregoar sem vivenciar no dia a dia, sem assumir o que se propõe e viver de acordo, independente se a sociedade é assim ou não, não importam as conseqüências. Um revolucionário sem amor, arrogante e cheio de verdades não é um revolucionário. Ao contrário, esse tipo de postura desmoraliza a palavra revolução. São os revolucionários dos rebanhos, esporrentos, raivosos e inofensivos ao sistema, recusados pela população, ridicularizados pela mídia e cansativamente repetitivos, incapazes que são de mudanças reais. Dizem querer mudanças, mas não conseguem ser essas mudanças – esta é sua limitação, sua contradição, sua precariedade.

Não há meio termo, não há como negar. A sociedade está sob controle dos poderes econômicos, dos bancos, das grandes empresas, e o povo é traído permanentemente, sabotado, enganado, explorado e excluído dos benefícios do desenvolvimento. Difícil entender como pessoas informadas, instruídas e desejosas de mudanças não enxergam essa realidade e ainda falam em democracia, na pseudo “democratização pós-ditadura”, numa ditadura que mudou de cara, mas não de essência. Estamos envolvidos por mentiras descaradas que não resistem a uma análise simples. O problema é que não analisamos sem partir de premissas falsas. Na sociedade atual, o patrimônio vale mais do que a vida, o privilégio vale mais que o direito, o rico vale muito, o pobre não vale nada. O Estado, amarrado, seqüestrado, dominado, toma dos pobres pra dar aos ricos e está cercado por vampiros, morcegos, sanguessugas, carrapatos, pulgas, piolhos, bactérias, que o enfraquecem. O remédio contra essa anemia está na instrução, na informação, na conscientização – por isso se sabota o ensino, se controla tão ferrenhamente as comunicações e se ataca todo movimento popular que defenda os direitos da maioria, reivindique, denuncie ou conscientize. É a estratégia dos zero vírgula alguma coisa por cento da população pra impedir mudanças reais e garantir seu vampirismo sobre o poder público e as riquezas do país.



Eduardo Marinho
segunda-feira, 26 de março de 2012
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O povo não precisa de liderança, o povo precisa de consciência e tem muita gente fazendo esse trabalho, acadêmicos e não acadêmicos. Eu sei porque eu trabalho em favela muitas vezes e sei que tem muito movimento cultural rolando. Tem muito trabalho de base acontecendo. Ele não aparece e é bom que não apareça, porque se aparecer, o sistema vai lá pra acabar com aquilo. ( Eduardo Marinho )